sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Adeus Ano Velho! Seja bem-vindo Ano Novo!



2010 foi um grande ano e 2011 será ainda maior.
Eu aprendi coisas que nunca havia imaginado antes.
Eu descobri que adoro desafios, mas nem sempre estou preparada para eles.
Eu ri de muitas coisas e chorei também.
Eu celebrei sonhos e conquistas.
Eu conheci lugares e sensações novas.
Eu comecei a lutar pelo que eu quero.
Eu gastei horas, dias, semanas tentando ser uma pessoa melhor a cada dia.
Eu me decepcionei muito com algumas escolhas, porém cresci muito com cada uma delas.
Eu liguei o Foda-se. Eu desliguei o Foda-se.
Eu me perdi. Eu me achei. Chorei e sorri.
Eu me permiti viver intensamente. Sonhei, realizei, me frustrei, fui feliz... Fiz de tudo um pouco.
Eu assisti o tempo passar.
Cheguei a mais um fim de ano, sem saber como e para onde vou, com dores de cabeça, algumas rugas e um baita desafio nas mãos, porém cheguei.
E aqui estou. Na porta de 2011. Medo? Muito. Esperança? Demais. Mas estou pronta (ou não!) para um novo ano. E que venha 2011!
.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Humilhação!

O que faz uma pessoa humilhar a outra?
Poder? Dinheiro? Egocentrismo?
Na verdade não sei responder.
Hoje, no ônibus, vindo trabalhar, escutava uma conversa entre duas pessoas  que  estavam sentadas atrás de mim. Uma mulher e um homem falando sobre seus trabalhos. O homem mais ouvia do que falava, mas a mulher, não exaltada, calma demais até, desabafava. Falava sobre a humilhação que sua 'patroa' a fazia passar. Que tinha chegado à conclusão que por mais que precisasse de dinheiro e trabalhar, ela não passaria mais por aquilo. Que honraria a palavra dela de trabalhar até o final do ano e que depois deixaria o emprego.
Eu fico pensando: Quem sai perdendo desta relação? O que dá alguém o direito de humilhar, maltratar e ferir outra pessoa? Quando vão perceber que isso só os deixa cada vez mais sozinhos e infelizes?
Elas não percebem, mas saem perdendo. São pessoas falsas no modo de viver. Na verdade são tristes, amarguradas, inseguras e carentes. Escondem seus defeitos atrás de uma postura desprezível sobre qual atacam os mais fracos (elas acham) para se sentirem bem.
Eu gostaria muito de um mundo melhor, onde as pessoas dessem valor ao que realmente  importa. Que tivessem um pouco mais de gratidão, amor e que pensassem que não conseguimos passar neste mundo sozinhos.
Isso é só mais um desabafo. Eu sei que o mundo é assim e não vai mudar. Não tenho mais a utopia de mundo perfeito. Mas seria muito bom se as pessoas acordassem enquanto ainda há tempo.

Falam de um lugar. Mas onde é que está? Onde há virtude e inteligência e as pessoas são boas e sensíveis. É o que pode me salvar, mas não acredito nisso, tento, mas é só de vez em quando. Onde está este lugar?
(Renato Russo)
.


terça-feira, 21 de dezembro de 2010

2011

Feliz Ano Novo!!!

Para que mentir?

Você e eu sabemos que 2011 não vai ser o ano que iremos realizar todos nossos sonhos.

Também sabemos que não será um ano perfeito. Pois anos perfeitos não existem. Todo mês de Dezembro, recebemos enxurradas de e-mails deliciosos nos desejando, para o ano seguinte, as melhores coisas que possam acontecer a alguém.

No entanto, nenhum ano desde que tenho recordações. Foi perfeito. Ainda bem! Quando criança, briguei com amigos, fiz as pazes, me rebelei contra meus pais, para depois ver que estavam certos. Quis presente que não ganhei e ganhei outros que não havia pedido. Chorei, calei, fiquei doente e me curei. Perdi bons amigos e fiz outros novos. Entristeci e voltei a sorrir. Destes meus primeiros encontros com a frustração, aprendi a driblar a tristeza (Será?).

Aprendi também, que muitas vezes o que pedimos ou o que achamos que queremos não é o que realmente nos deixaria felizes (embora, obviamente, pensássemos com afinco que sim). E que de repente, quando acreditamos estar no escuro, sem solução, uma coisa muito melhor com a qual nem havíamos sonhado, aparece para nos consolar.

Então desejo que 2011 seja mais um ano de descobertas. Não desejo que ele traga sofrimento, mas se por acaso a dor cruzar seu caminho, aprenda a crescer com ela.

Que possa, em 2011 se conhecer mais para aprender a fazer as escolhas mais sábias. Que consiga entender o que realmente quer, para ter atrás do que correr e com que sonhar. Mesmo que seja para descobrir, em 2011, que não quer mais a mesma coisa.

Que possa passar mais tempo com quem ama. Que cuide mais da saúde e das pessoas a sua volta. Que reclame menos e faça mais. Que erre bastante porque só assim saberá acertar. E que apesar de ter convicção de que ano perfeito não existe, possa tirar o melhor proveito deste ano que esta por vir.

A realidade é bem diferente das projeções que fazemos dela. Mas mesmo assim, é melhor do que qualquer sonho. Porque são os tropeços, as dúvidas, as dificuldades, as escolhas que fazem a vida ser o que é: um interminável aprendizado.
.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Cristiane

Menina doce. Sorriso que ilumina. Abraço que conforta. Palavras que tocam fundo no coração.

É amiga daquelas que puxam as orelhas, tipo:

- Vem cá! Senta aqui! Não quero saber de festas, quantas horas você ficou acordada ouvindo thunzthunz ou quanto tempo você ficou bebendo até a cabeça inchar. Pode até falar, mas eu quero saber de você. Você! Você não é só uma festa. Você não é só uma foto ou perfil no facebook. Você é gente! E gente sofre, ama, sente sono... Me fale como você esta?

E não tem jeito, você se desarma, desabafa, chora, ri, mas não consegue continuar com a armadura que você monta para o resto do mundo.

Ela não fala o que eu quero ouvir e sim o que eu preciso ouvir. Me mostra o outro lado da história e me faz pensar, considerar, refletir;

Obrigada Cris, por deixar tantas lembranças em minha vida, por me escutar, confiar seus pensamentos e saber que eu sempre posso contar contigo.

E como você sempre me diz, se precisar de ajuda: TÔ AQUI!

2009


sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Attraversiamo

Trecho do livro Comer Rezar Amar de Elizabeth Gilbert.



Mais um dia em que Liz pensa em ir embora, David diz:

“E se admitirmos que nosso relacionamento esteja acabado? E nos mantivermos nele, mesmo assim. Nós o aceitamos. Nós brigamos muito. Quase não transamos mais. Mas não queremos deixar um ao outro. Assim poderíamos passar a vida juntos.  Miseráveis. Mas felizes de não estarmos separados.”

Após a separação e alguns meses passados em Roma, Liz envia um e-mail para David.

Caro David...

Não nos falamos há muito tempo e isso me deu o tempo que eu precisava para pensar. Lembra quando disse que devíamos morar juntos e sermos infelizes para podermos ser felizes? Considere uma prova de meu amor eu ter passado tanto tempo considerando isso, tentando fazer funcionar.
Mas uma amiga me levou ao lugar mais fantástico um dia desses. Octávio Augusto o construiu para guardar suas coisas. Quando os Bárbaros vieram, destruíram isso e todo o resto. O Grande Augusto, o primeiro grande imperador de Roma. Como ele pensaria que Roma, que era o mundo para ele, estaria um dia em ruínas?
É um dos lugares mais quietos e solitários de Roma. A cidade cresceu em volta dele todos esses séculos. É como uma ferida preciosa, um antigo amor que você não quer esquecer.
- A dor é tão boa.
Queremos que as coisas continuem as mesmas, David. Vivemos infelizes por ter medo de mudanças, de ver nossa vida acabar em ruínas. Então, olhei o lugar e em todo o caos pelo qual passou. A forma como foi adaptada, queimada, destruída e ainda achou formas de se construir de novo. E me senti tranqüilizada. Talvez minha vida não tenha sido tão caótica. O mundo que é, e a armadilha é se apegar demais a ele. Ruínas são um presente. São o caminho para a transformação.
Até mesmo nesta cidade eterna, isso me mostrou que devemos estar preparados para todas as transformações. Merecemos mais do que ficar juntos por termos medo de sermos destruídos se não ficarmos.

Liz

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Contradizer-se: que luxo!

Vamos deixar a hipocrisia de lado. Quando você está solteira, você deseja um namorado bacanérrimo, inveja todos os casais que vê pela frente, fica com um monte de caras cheirosos, deliciosos e canalhas (na sua opinião), sai pra lá e pra cá com suas amigas malucas que obviamente te divertem e acaba (depois de quatro doses a mais) com um discurso manjado de como está difícil achar alguém legal pra dividir a vida, dividir os medos, o café da manhã, as contas e o tédio de domingo. E o blábláblá não acaba. Nós somos poderosas, evoluídas, revolucionárias, os pobres-coitados são sempre culpados. E vamos descer a lenha: tem que ser muito homem pra ficar com uma mulher como você, independente, linda, engraçada, com texto forte, personalidade e corpão.

Mentira minha? Tire a culpa da sua bolsa, jogue em cima do rapaz, cara paleozóico, que só quer uma figura dócil para afirmar sua masculinidade, fazer bonito na frente dos outros e poder dispensar as outras lindas e interessantes que aparecerem (logicamente, depois de beijar e iludir cada uma) com a frase mais usada no mundo: "sabe o que é? Eu tenho namorada!" "Hã?", você pergunta incrédula. O canalha tem namorada. E você chora pelo babaca, diz que os homens são todos iguais, nunca mais vai se apaixonar de novo (mesmo
que tenha um Santo Antônio escondido em casa), se embola com namoros virtuais e não entende porque só atrai gente problemática.

Você se reconheceu em alguma palavra até aqui? Sinto dizer, é a vida. Mas como o mundo dá voltas e um dia é da caça e o outro (oba!!) do caçador, uma certa hora todo esse material maravilhoso que você é se depara com uma pessoa incrível que te faz acreditar que amor não é marketing, nem invenção de Shakespeare. E você se sente abençoada, agradece aos céus por achar um cara tão sensível e vocês vivem felizes para sempre. Felizes e apaixonados até constatarem o óbvio: ninguém é perfeito.

Aí meu bem, começa um outro discurso. Nem melhor nem pior, mas diferente. É reclamação que não acaba, a velha saudade da vida de solteira que bate, aquele defeito charmoso dele agora faz você ficar louca. Louca, não. Louquíssima. E você sente falta de acordar sozinha, sente falta do seu espaço, sente falta das suas amigas e das noites divertidas e vazias
que vocês passavam (lógico que não eram vazias, vocês tinham umas às outras!), sente falta de não ter que ligar e dar explicação de onde você estava e o pior: começa a achar graça naquele cara que você nunca achou a menor graça.

Mentira minha? Pois é. Solteiros, casados, juntados, a questão não é o estado civil, mas a sensação que volta-e-meia volta: nunca estamos satisfeitos. A vida é feita de escolhas e em cada escolha há uma perda. E perder dói. Se você se sente plenamente realizado todos os dias com alguém que você convive há muito tempo (namoros à distância e paixões tumultuadas não estão em questão), parabéns, eu não conheço ninguém igual a você. Porque não é fácil ficar sozinho, não é fácil viver com alguém, mesmo que seja o grande amor da sua vida.

Conviver é uma arte complicada. Haja tolerância, paciência e jogo de cintura para agüentar nossos defeitos e os do outro. Viver sozinho também não é mole. Haja sabedoria para estar só e se sentir sempre em paz. Mas como nada nunca é perfeito, penso que a única saída é aproveitar cada momento (independente do estado civil que você se encontre) e aceitar a realidade como um presente. Porque perfeito mesmo só a imperfeição. Que faz ter sentido até o que não se explica.

Jean Cocteau 
Estado de Espírito
.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Nova viagem


Depois do primeiro acampamento em Sana, descobrimos que o tamanho da barraca é um detalhe muito importante para o conforto do acampamento. Então decidimos comprar uma barraca nova. Pesquisamos muitos modelos, tamanhos, marcas e preços. Procuramos mais informações em fóruns e em sites de reclamações e decidimos comprar uma barraca da marca Náutika, pela internet. A compra já estava decidida, mas queríamos ver pessoalmente como era a barraca. Sentir o material, para ficarmos mais seguros.
Encontramos-nos numa sexta-feira e fomos ao Carrefour. Lá só encontramos marcas desconhecidas e com preço alto, então voltamos para casa. Compramos apenas os ingredientes para eu fazer o doce de chocolate com coco que ele adora.
No dia seguinte decidimos ir ao Wal-Mart Manilha. Descemos em Alcântara para pegar o outro ônibus e Airton quis passear no Extra. Não entendo por que este menino gosta tanto de passear em mercados. E em todos os que vai, faz questão de perder alguns minutos na seção de camping. Graças a esta brincadeira, encontramos um colchão inflável muito barato. Compramos o colchão, dois travesseiros, a bomba para encher tudo e um canivete para ele brincar.

Com todo aquele peso, partimos para o Wal-Mart. Do lado dele tem um Carrefour e, claro, Airton quis ir lá. E mais uma vez o Carrefour mostrou que só vende barracas vagabundas e caras. Almoçamos no McDonald's e fomos para o Wal-Mart.
Gente, aquilo parece um mundo! Ficamos tão encantados com a quantidade de produtos que acabamos perdendo o foco e ficamos vagando entre as seções, até que um de nós lembrou: "ei, viemos ver barracas", e então fomos procurar.
E aconteceu a paixão à primeira vista. Encantamos-nos por uma barraca para três pessoas, da desconhecida marca Swissgear. Desconhecida mas se dizendo "a marca criadora do autêntico canivete suíço". Ora, uma marca suíça, criadora do canivete mais famoso do mundo não iria estampar seu nome num produto de baixa qualidade. Colocamos a barraca no carrinho e quando íamos continuar o passeio pelo mercado, vimos mochilas da mesma marca.
Mais uma vez, paixão à primeira vista. Ambos nos apaixonamos pelo modelo e pelo preço. R$ 79,90. Enquanto eu mexia na mochila para procurar algum defeito (ela não podia ser tão perfeita!), Airton começou a resmungar. Não tinha outra igual. O clima começou a ficar tenso. Ele dizendo que eu tenho três mochilas e não uso nenhuma, então não precisava de mais uma. Eu dizia que não usava as minhas porque não gostava de nenhuma delas, mas que tinha adorado aquela e ia usar sempre.
Perguntamos para três funcionários diferentes (provavelmente os únicos daquela loja do tamanho de um quarteirão), mas não havia outra mochila igual. Aquela era a última.
Para acabar com a briga, decidimos que ele usaria no dia a dia e eu usaria quando fôssemos acampar, já que ele já tem uma mochila cargueira gigante.

Voltamos para o corredor das mochilas. Ele disse que ia achar uma boa, para eu usar. Não achou. Voltamos a ver as barracas e uma estava com a caixa aberta. Resolvemos abrir a barraca para ver o material. A paixão aumentou. Fomos gostando de cada item que víamos: janela traseira, lugar para guardar os sapatos, cobertura grande, bem ventilada, dois bolsos internos e uma rede no teto, por dentro da barraca, que funcionava como uma prateleira e seria perfeita para colocarmos a lanterna. Confirmamos o preço (R$ 94) e decidimos: esta é a nossa nova barraca e vamos comprar agora, e não pela internet.
Já tínhamos decidido o que íamos comprar (exatamente o que fomos fazer lá), mas o passeio não tinha acabado ainda. Havia muito mercado para ser explorado, e continuamos passeando.
Neste passeio encontramos outra barraca, bem maior. A embalagem dizia que era para cinco pessoas, mas eu, particularmente, acho que cabia um time de futebol ali. Um pouco mais cara, mas não muito. A marca também era desconhecida, mas tinha uma cara boa. Não tinha o impacto de "a marca criadora do autêntico canivete suíço", mas parecia confiável. Pesava um pouco mais (três ou cinco quilos), mas talvez valesse à pena. Colocamos no carrinho junto com a menor, achamos uma mesa de jardim exposta para venda, nos sentamos nas cadeiras que faziam conjunto, colocamos uma caixa em cima da outra e começamos a comparar os prós e contras de cada.
Checamos cada item, cada especificação, cada característica e a dúvida ia aumentando. Passado muito tempo, argumentos, comparações, perguntas e respostas, o que mais chamava a atenção era o tamanho dela, aproximadamente 3,65m x 3,65m. Um universo, comparado com o nosso primeiro barraco, de 1,30m x 2m. Pedimos uma trena a um dos funcionários, para ter uma noção do que eram 3,65m.
Airton pediu para eu segurar a ponta da trena e começou a andar para longe de mim. Não chegamos a medir 3,65m, porque a trena tinha só 3m. Era o bastante. Precisei gritar para que ele me ouvisse:
- É a outra!
Ficamos pensando: imagina se estivéssemos numa loja comum, destas em que o vendedor te aborda assim que você passa em frente à porta. Qual seria o nível de raiva dele depois ficar quase trinta minutos olhando um casal altamente chato e exigente, discutindo qual barraca levar?
E, depois, a frustração dele quando visse que tudo se resolveria em um minuto se nós tivéssemos uma boa noção do que eram três metros! Por sorte os funcionários da loja não chegavam nem perto da gente. Pelo contrário, eles pareciam se esconder dos clientes.
Final das contas: compramos barraca, mochila, colchão, travesseiros, bomba e canivete. Chagamos em casa, cansados, mas tínhamos que montar e ver como seria. A ansiedade era demais.
Fomos para o quintal e montamos a barraca. Linda e grande, como imaginamos. Entramos e ficamos vendo como ela é por dentro, janelas, bolsos internos, e decidimos encher o colchão e ver como ficaria dentro da barraca. Muita disposição do Airton, encher o colchão foi cansativo, mas tivemos uma idéia do tamanho da barraca e do conforto que teremos no próximo acampamento.
Após isso, desmontar tudo e guardar.
Muito cansados, porém, muito bom ter tudo novo, esperando por mais um FDS maravilho. Agora, falta apenas o destino.

.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Sana


Quando se ouve falar em Sana, cidade no interior do estado do Rio de Janeiro, qual a primeira coisa que vem à sua cabeça?
Eu sempre ouvi pessoas dizerem que iam para lá acampar, fazer luau e fumar maconha. Na minha imaginação, o último reduto hippie no Brasil.
Mas não é assim. Meu namorado e eu acampamos lá no feriado de finados de 2010 e descobrimos que a realidade é bem diferente do que imaginávamos.
Uma coisa muito importante é o seguinte: não vá para Sana achando que você vai fumar maconha tranquilamente no meio da rua como se estivesse na Holanda. Não é assim. Tem maconha, sim, como em qualquer lugar. Você consegue achar a erva, seda, cachimbos de todos os tipos, boeing, desfiador de fumo, maquina para enrolar cigarros e companhia para fumar, mas maconha não é o ponto principal da cidade.
O artesanato parece ser a principal atividade comercial da cidade. Os hippies vivem do seu artesanato, vendido principalmente na feira localizada no centro da cidade. O atendimento e a beleza dos produtos causam uma sensação estranha, que é quase uma obrigação de comprar. Não que eles pressionem. De forma alguma. Sua consciência é que te pressiona. Eu, pelo menos, pensei: “poxa, os caras tiveram a coragem de praticar o lema ‘se tudo der errado, viro hippie’. Preciso colaborar”. Dá vontade de sair comprando tudo, como reconhecimento pelo carinho que colocaram em cada peça.
Outro ponto muito importante é a incrível a limpeza da cidade. Não se encontra lixo no chão. Para isso existem várias lixeiras. Mais ou menos a mesma quantidade que se encontra no Centro do Rio, mas lá as pessoas realmente fazem uso delas.
Não existe nenhum tipo de aula de boas maneiras ao se entrar na cidade. Simplesmente você olha para o chão, vê que ele está limpo e quer mantê-lo assim.
Interessante mesmo é ir para lá preparado para encontrar um clima totalmente diferente do que é a capital do estado. Ir com a mente aberta para receber as vibrações e energias positivas que estão em cada canto de Sana. Logo na chegada, encontramos um clima muito zen. Música calma, pessoas fazendo trabalhos manuais, com um ótimo astral, receptivas e atenciosas. Com uma fala mansa e um sorriso no rosto, sempre dispostas a ajudar.
Uma cidade tranquila, com ritmo muito próprio, que passa realmente a sensação de paraíso, com ar puro e árvores e flores pelas ruas e jardins das casas.

A BARRACA

Não tínhamos uma barraca, então procuramos na internet. Descobrimos vários preços e tamanhos, e compramos a Capri Light para duas pessoas. 1,3m de largura e 2m de comprimento, R$ 70. Na mesma loja tinha o modelo para três pessoas, 20cm a mais de largura, R$ 20 a mais. Tentando economizar, escolhemos a mais barata. Péssima escolha. Claustrofóbica, quente, sem ventilação, não resistente à chuva, frágil… Os vinte centímetros a mais teriam dado um pouco (bem pouco) mais de espaço, mas ainda seria uma lata de sardinha em banho-maria.

PROCURANDO O CAMPING

A internet nos ajudou, também, na busca do lugar para acampar. Achamos o site portaldosana.com.br com os telefones dos principais campings da cidade. O contato com eles é muito difícil. Só conseguimos falar com um, o Sana Camping, administrado por sr. João. Sorte de principiante ou não, descobrimos ser o melhor camping da cidade. Um lugar que oferece segurança, boa infra-estrutura, com banheiros limpos, chuveiro elétrico, cozinha e bebida barata (água, cerveja e refrigerante). O camping fica à beira do Rio Sana, onde você pode se refrescar e relaxar com tranquilizante o barulho das águas. Quem não quer ficar em barraca tem a opção de se hospedar em motor-homes ou chalés do camping, suítes bem equipadas aparentando proporcionar bastante conforto. Uma grande área plana, com um chuveiro e um lago que chamam a atenção. O chuveiro funciona 24 horas por dia, alimentado por água vinda das cachoeiras locais. Não há desperdício. A água usada no chuveiro corre para um lago no centro do camping e de lá vai para o rio. Há muita liberdade no camping. Ninguém te incomoda. Mas se você precisar, sr. João está disposto a te ajudar.
Dizem que pessoas boas, atraem pessoas boas. Se isso for verdade, aí está o segredo do camping.

Sana Camping
Rua José de Jesus Junior, s/nº (em frente ao Campo de Futebol do Sana, logo após a ponte sobre o córrego da Glória – na entrada do Sana, entrando à esquerda.)
Tel: (22) 2793-2545 ou (22) 9935-4355
Email: lalazinhah_lima@hotmail.com

A VIAGEM

Procurando o caminho mais barato, resolvemos fazer baldeações. Em Alcântara (São Gonçalo-RJ), pegamos um micro-ônibus para Rio Bonito. Muito micro, mesmo. Extremamente apertado e sem ventilação.
 Duração: 1:20hs. Preço: R$ 4,00.

uefa3Na rodoviária de Rio Bonito não tinha ninguém para informar os horários dos ônibus para Casimiro de Abreu, nosso próximo destino. Na padaria em frente à rodoviária, descobrimos que o próximo ônibus seria daí a 1h30min, mas ali perto tinha um ponto com vans que também iam para lá. Pegamos uma para Casimiro de Abreu. A ventilação era ótima, mas ela parava muito, o que fez com que a viagem demorasse mais do que o normal.
Duração: 1:40hs. Preço: R$ 8,25

Em Casimiro esperamos junto com algumas outras pessoas a única Kombi que vai para Sana. Como toda Kombi, apertada e com pouca ventilação. E muito confusa, também. Muita gente para um carro e o motorista querendo carregar mais passageiros do que a Kombi suportava. O caminho, também, é muito ruim. Boa parte da estrada é asfaltada, mas um grande pedaço do caminho é feito em estrada de terra, estreita e com muitos buracos.
Duração: 55 minutos. Preço: R$ 5,00
A volta foi bem diferente. As Kombis passam de hora em hora. A última sai às 17:30hs. Por segurança, fomos para o ponto pegar a de 16:30hs. Como temíamos, ela já estava lotada e teríamos que esperar uma hora para a próxima. Pouco depois da partida da Kombi um jovem disse que seus tios estavam descendo para Casimiro com três lugares no carro, pelo mesmo preço da Kombi. Não ter que esperar sob chuva, ter mais conforto e não precisar carregar as mochilas no colo, podendo usar o porta-malas, foi um grande alívio e entramos no carro do simpático casal que nos deixou em frente à rodoviária de Casimiro onde pegaríamos o ônibus direto para Niterói. Como esperávamos chegar na rodoviária às 19:30hs, nossas passagens eram para o ônibus de 20:20hs. Tendo chegado na rodoviária às 17:10hs, tentamos trocar as passagens para mais cedo, e conseguimos pegar o ônibus de 17:30hs. Foi a melhor condução da viagem. Ônibus executivo com ar condicionado.
Duração: 02:10hs. Preço:R$ 24,96

PRIMEIRO DIA

Descemos da Kombi na praça de Sana. Bem em frente à praça fica a feirinha onde os hippies vendem seu artesanato. A feira é um lugar quadrado com uma cerca de bambu e madeira, tudo muito rústico. Na entrada, um portal também de madeira. Nas laterais ficam as baias dos artesãos. No fundo tem um palco onde acontecem shows e apresentações teatrais, mas no dia tinha apenas um amplificador tocando Geraldo Azevedo.



Do lado da feira tem uma loja, a Sheilarte’s. Sentada na porta tinha uma menina fazendo algum artesanato. Parou o trabalho para atender a gente e nos as primeiras informações sobre a cidade. Vale lembrar que fomos nesta loja todos os dias e em todos os dias ela nos atendeu com a mesma paciência.
Procuramos algum lugar para almoçar e no caminho para o camping achamos um bar que vende prato feito . A comida era boa, com duas ou três opção de carnes. O preço do prato era atraente (R$ 7,00), mas as bebidas eram caras. A garrafa de 1,25L de Coca-Cola custava R$ 4,00. No camping (que também é depósito de bebidas), alguns metros adiante, compramos uma garrafa de 1,5L de água por R$ 1,50 e misturamos com pó para refresco que tínhamos levado. A mulher não gostou muito de termos comprado na concorrência, mas já tinha sido feito. De lá fomos para o acampamento.
Encontramos sr. João no depósito, que fica na entrada do camping. Ele nos apresentou as instalações e nos deixou à vontade para escolher o melhor lugar para ficar. Como não era alta temporada, havia poucas pessoas acampando, então tínhamos muitos lugares para escolher.
Escolhemos um lugar na beira do rio, na sombra de uma árvore. Queríamos dormir com o som das águas correndo pelas pedras. Montamos a barraca e fomos tomar banho no rio. No leito do rio há muitas folhas caídas, e aquilo nos pareceu sujo, então fomos nos refrescar no chuveiro natural.
Começou a chover. A chova não era muito forte, mas sr. João nos disse que nossa barraca não era impermeável e confiamos na experiência dele. Ele sugeriu que ficássemos em algum dos lugares cobertos e escolhemos ficar embaixo de um toldo, atrás de um dos motor-homes. Ficamos um pouco desconfortáveis, porque o chão era de areia, bem duro, mas pelo menos não ficamos na chuva.
À noite fomos passear pela cidade e comemos no Sana’s Rock, uma lanchonete com show ao vivo. O hamburguer é gostoso, mas caro para os padrões da cidade.



SEGUNDO DIA

Acordamos no domingo com muito sol. Vestimos roupa de banho e fomos tomar café para depois ir à cachoeira. Só vimos uma padaria na cidade, então café da manhã é lá. O preço e o atendimento são muito bons. Pedimos pão na chapa, mixto-quente, café e guaraná natural. Depois pedimos informação e seguimos para as cachoeiras.
Há várias cachoeiras em Sana, mas fomos apenas na primeira, Cachoeira do Escorrega. A água desce pelas pedras, fazendo com que algumas fiquem bem lisas, por onde o pessoal escorrega, como se fosse um tobogã. Por isso o nome.
O problema é que quando elas descem, diminuem o espaço onde as outras pessoas podem ficar se refrescando. Todo mundo tem que ficar espremido nos cantos para dar espaço para quem está descendo. Algumas pessoas não têm noção de que o espaço delas acabou e estão invadindo o espaço alheio.
Voltamos cedo porque havia uma ameaça de chuva (e o risco de uma perigosa tromba d’água) e tínhamos que justificar a ausência na eleição. No caminho, com muita fome, comemos em um restaurante que fica na descida das cachoeiras. Lugar arejado, preço muito bom e comida gostosa. Lugar com a bebida mais barata que encontramos. A carne é limitada, mas come-se à vontade por R$ 8,00, e o refrigerante é barato.
A seção eleitoral da cidade foi o único lugar em que vimos policiais, apesar de haver um DPO perto da entrada do camping em que ficamos.
Não havia fila para votar. A demora era apenas porque as pessoas se conheciam e queria ficar de bate-papo, mas dava para aguentar sem problemas.
De noite comemos em uma pequena lanchonete perto da praça. O atendimento era muito bom, mas a bebida era cara e os salgados (pré-prontos e aquecidos no microondas) estavam frios por dentro. Claro que poderíamos ter pedido para que a moça esquentasse um pouco mais, mas…
Voltando para o camping, tomamos uma caipirinha e assistimos a uma parte de um show de reggae. Caipirinha com cachaça. Gostosa, mas um pouco doce demais. Ainda no caminho de volta para o camping, paramos em uma lanchonete com diversas coisas a venda e compramos açai. Não gostamos muito; há melhores aqui no Rio.

TERCEIRO DIA

No café-da-manhã do terceiro dia vimos pessoas comprando pão, queijo e presunto e fazendo seu próprio sanduíche, então copiamos a idéia e montamos nosso própio café. A atendente nos deu faca e copo descartável, sem problema nenhum.
Nosso almoço foi alguns salgados. Comemos na entrada do camping, tomando refrigerante e conversando com dois casais do acampamento.
Na nossa última noite lá fomos conhecer o Beco, uma pizzaria escondida no centro da cidade. Na verdade a pizzaria funciona na varanda de um casal muito simpático, que tem uma gata gigante que nos fez companhia durante o ‘jantar’. Atendimento muito bom com pizza e refrigerante baratos, e um ambiente místico que nos fez pensar em muitas coisas. Várias idéias.

QUARTO DIA

Nosso último dia lá amanheceu com uma pontada de tristeza. Muita vontade de ficar mais. Repetimos a receita de sucesso do café-da-manhã.
Ao lado da padaria fica uma loja de souvenirs. Compramos alguns presentinhos para nós mesmos e voltamos para o camping para começar a arrumar as coisas.
O almoço foi num restaurante muito bom e fácil de achar: fica nos fundos de uma casa que tem mesas em forma de margarida na frente. A comida é vendida por peso, mas não é muito caro. Este restaurante e o que fica no caminho da cachoeira foram os melhores lugares onde comemos.


Trouxemos de lá muitas saudades e uma grande admiração pelo lugar e pelas pessoas. E uma vontade forte de voltar o mais rápido possível.

(link para fotos da viagem, da cidade e do acampamento)

Originalmente em: (http://airtonbolquett.wordpress.com/2010/11/30/acampando-em-sana/)

Airton e Melissa

terça-feira, 30 de novembro de 2010

De repente 30

“Eu vejo o futuro repetir o passado. Eu vejo um museu de grandes novidades. O tempo não pára. Não pára, não, não pára.” - Cazuza

Nunca um número me chamou tanto atenção como os 30. Sim, eu me lembro dos 15, 18, 21, mas naquela época era outra proporção, algo descompromissado, livre, leve, viver sem saber o dia de amanhã e não me preocupar com isso.
Agora é fato que os 30 têm outra conotação. O corpo de longe lembra aquele da adolescência, e no meu caso eu devo dizer que na medida em que a idade avança melhoro um pouquinho. A cabeça foi o que mais mudou, me permito viver uma ‘metamorfose ambulante’, e acho que nada mais antiquado nos dias de hoje do que você manter a mesma idéia fixa de anos e anos. Por isso sempre que possível me permito mais de uma opinião sobre tudo, afinal nascemos, morremos e não aprendemos tudo o que a vida pode nos ensinar.
E então, vamos viver?


segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Metade


Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio;
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca;
Porque metade de mim é o que eu grito,
Mas a outra metade é silêncio...

Que a música que eu ouço ao longe
Seja linda, ainda que tristeza;
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante;
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade...

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece
E nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta
A um homem inundado de sentimentos;
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo...

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço;
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada;
Porque metade de mim é o que penso
Mas a outra metade é um vulcão...

Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo
Se torne ao menos suportável;
Que o espelho reflita em meu rosto
Um doce sorriso que me lembro ter dado na infância;
Porque metade de mim é a lembrança do que fui,
A outra metade eu não sei...

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais;
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço...

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade para faze-la florescer;
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção...

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade... também.

Oswaldo Montenegro

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Planos...

Planos... Uma das coisas mais legais de se ter. Eu tenho muitos. Alguns para a próxima semana. Outros pra realizar nessa vida.
Planos para mais um final de semana em Sana. Energia Positiva. Paz. Amor.
Planos para o Ano novo? Tenho ainda não.
Planos para muitos dias de férias em fevereiro, pegando março e o Carnaval.
Planos para uma viagem internacional.
Planos para uma casa nova e um carro.
Planos profissionais. Estudar. Crescer.
Planos para uma vida já bem vivida, mas com tanta, tanta estrada pela frente...
Planos abstratos. Planos que tem rosto.
Planos para perder. Outros para somar.
Alguns planos para planejar e para realizar sozinha. Outros, aguardando para serem feitos juntos.
Planos que deixam um vazio depois que se realizam.
Vazio que é rapidamente ocupado por outros planos.


Pode ser um amanhã simples, modesto, que seja apenas um amanhã.


quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Deixa chover, deixa!

"A vida não é esperar a tempestade passar, é aprender a dançar na chuva."
É incrível, mas realmente quando você para de se preocupar, as coisas simplesmente acontecem. Desde que decidi na semana passada não sofrer por antecipação, só tem acontecido coisa boa.
Aumento de salário, família em paz e uma viagem maravilhosa com meu namorado.
Este ultimo acontecimento, me repaginou. Lugar bonito, tranqüilo, cheio de energias positivas. Pessoas leves, de fala mansa e sorriso largo no rosto. Além de ser minha primeira vez acampando. Experiência única.
Caminhar pelas trilhas, dormir escutando o barulho do rio, mergulhar em cachoeiras, ver artesanatos, sentir-se livre. Acho que é esta a palavra: LIBERDADE. É o que Sana me deu.
Tivemos um dia de sol e três dias de chuva. Chuva fina e constante que lavou todo mal; purificou. Como diz a música: Deixa chover, deixa!

Deixa chover, deixa
A água lágrima divina vai purificar
Deixa chover, deixa
Semente que cair na terra já pode brotar
Sem demora vou-me embora, mas
eu nem sei nem pra onde eu vou
Vou perder-me no caminho
É bem melhor do que onde estou
E na bagagem levo nada, não levo nem o cobertor,
levo somente alegria e muita fé no meu Senhor.
Sei vou encontrar muita pedra no caminho,
uma flor e dez espinhos mas não posso me turvar
Pois o guerreiro de verdade é dentro da diversidade,
persevera na humildade e mostra todo o seu valor.
E está revelado num segredo, não escondendo o seu desejo,
de viver e ser feliz.
Mas um dia Deus vai lhe abençoar
Trazendo a sua chuva para o povo abençoar
Deixa chover, deixa
A água lágrima divina vai purificar
Deixa chover, deixa
Semente que cair na terra já pode brotar

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Alma!

Sono, preguiça, música no fone de ouvido, cabeça encostada no vidro do ônibus e vários pensamentos ao mesmo tempo. Distraída como sempre, até ouvir uma freada forte, um barulho absurdo e ver um corpo voar por cima do ônibus que estava na minha frente e cair no chão todo torto, desfigurado.
O motorista do ônibus sai com as mãos na cabeça, em choque, não acreditando no que aconteceu. Outras pessoas chegam, carros param, uns gritam, outros tentam acudir, outros ligam para policia e eu ali, atordoada.
Saí do lugar onde estava, pois ali conseguia ver toda a situação e sentei do outro lado, esperando o ônibus continuar seu percurso, o que demorou mais ou menos uns 30 minutos.
Encostei de novo a cabeça na janela e comecei a pensar em um monte de coisas ao mesmo tempo. Parei, respirei e tentei ordenar os fatos.
A Primeira coisa que me veio à cabeça foi:  por que as pessoas gostam tanto, ou por que a curiosidade é tão grande para ver  a desgraça alheia? Se ainda tivesse como ajudar, salvar, entenderia o interesse, mas ficar ali, olhando um corpo? Não vejo sentido.
Depois pensei, Não tem mais nada para ser feito. Acabou a vida dela. Acabaram-se seus problemas. Alma livre, sabe?                                                         
Crise!
Já acabou, livre
Já passou o meu temor
Do seu medo sem motivo
Riso, de manhã, riso
De neném a água já molhou
A superfície!...
Mas, por fim, veio o pensamento que agora escrevendo eu acho que deveria ter sido o primeiro. O quanto ela ainda tinha para viver e acabou tudo, ali, naquele exato momento em que ela decidiu atravessar uma pista de alta velocidade?
E ai, meu egocentrismo entrou em ação, comecei a pensar na minha vida, o que estou fazendo com ela, se estou aproveitando ou não, se estou fazendo as coisas certas, se estou lutando por objetivos reais  se estou no caminho certo, ou pelo menos em um caminho que me leve a algum lugar, que me dê recompensas.
Acho que levarei alguns dias (ou talvez a vida inteira) para conseguir todas as respostas, mas uma coisa ficou muito clara eu não estou em uma ciranda de rodas, não estou aqui a passeio, então vou me preocupar só com problemas reais, com coisas que me tragam algum tipo de benefício, que me satisfaçam e parar de me preocupar com o futuro; deixa ele chegar primeiro.