sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Attraversiamo

Trecho do livro Comer Rezar Amar de Elizabeth Gilbert.



Mais um dia em que Liz pensa em ir embora, David diz:

“E se admitirmos que nosso relacionamento esteja acabado? E nos mantivermos nele, mesmo assim. Nós o aceitamos. Nós brigamos muito. Quase não transamos mais. Mas não queremos deixar um ao outro. Assim poderíamos passar a vida juntos.  Miseráveis. Mas felizes de não estarmos separados.”

Após a separação e alguns meses passados em Roma, Liz envia um e-mail para David.

Caro David...

Não nos falamos há muito tempo e isso me deu o tempo que eu precisava para pensar. Lembra quando disse que devíamos morar juntos e sermos infelizes para podermos ser felizes? Considere uma prova de meu amor eu ter passado tanto tempo considerando isso, tentando fazer funcionar.
Mas uma amiga me levou ao lugar mais fantástico um dia desses. Octávio Augusto o construiu para guardar suas coisas. Quando os Bárbaros vieram, destruíram isso e todo o resto. O Grande Augusto, o primeiro grande imperador de Roma. Como ele pensaria que Roma, que era o mundo para ele, estaria um dia em ruínas?
É um dos lugares mais quietos e solitários de Roma. A cidade cresceu em volta dele todos esses séculos. É como uma ferida preciosa, um antigo amor que você não quer esquecer.
- A dor é tão boa.
Queremos que as coisas continuem as mesmas, David. Vivemos infelizes por ter medo de mudanças, de ver nossa vida acabar em ruínas. Então, olhei o lugar e em todo o caos pelo qual passou. A forma como foi adaptada, queimada, destruída e ainda achou formas de se construir de novo. E me senti tranqüilizada. Talvez minha vida não tenha sido tão caótica. O mundo que é, e a armadilha é se apegar demais a ele. Ruínas são um presente. São o caminho para a transformação.
Até mesmo nesta cidade eterna, isso me mostrou que devemos estar preparados para todas as transformações. Merecemos mais do que ficar juntos por termos medo de sermos destruídos se não ficarmos.

Liz

Nenhum comentário:

Postar um comentário