domingo, 30 de janeiro de 2011

Vai passar


Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está ai, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada "impulso vital". Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo como "estou contente outra vez". Ou simplesmente "continuo", porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloqüentes como "sempre" ou "nunca". Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicídio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim - nós, não. Contidamente, continuamos. E substituímos expressões fatais como "não resistirei" por outras mais mansas, como "sei que vai passar". Esse o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência.
Claro que no começo não terás sono ou dormirás demais. Fumarás muito, também, e talvez até mesmo te permitas tomar alguns desses comprimidos para disfarçar a dor. Claro que no começo, pouco depois de acordar, olhando à tua volta a paisagem de todo dia, sentirás atravessada não sabes se na garganta ou no peito ou na mente - e não importa - essa coisa que chamarás com cuidado, de "uma ausência". E haverá momentos em que esse osso duro se transformará numa espécie de coroa de arame farpado sobre tua cabeça, em garras, ratoeira e tenazes no teu coração. Atravessarás o dia fazendo coisas como tirar a poeira de livros antigos e velhos discos, como se não houvesse nada mais importante a fazer. E caminharás devagar pela casa, molhando as plantas e abrindo janelas para que sopre esse vento que deve levar embora memórias e cansaços.
Contarás nos dedos os dias que faltam para que termine o ano, não são muitos, pensarás com alívio. E morbidamente talvez enumeres todas as vezes que a loucura, a morte, a fome, a doença, a violência e o desespero roçaram teus ombros e os de teus amigos. Serão tantas que desistirás de contar. Então fingirás - aplicadamente, fingirás acreditar que no próximo ano tudo será diferente, que as coisas sempre se renovam. Embora saibas que há perdas realmente irreparáveis e que um braço amputado jamais se reconstituirá sozinho. Achando graça, pensarás com inveja na largatixa, regenerando sua própria cauda cortada. Mas no espelho cru, os teus olhos já não acham graça.
Tão longe ficou o tempo, esse, e pensarás, no tempo, naquele, e sentirás uma vontade absurda de tomar atitudes como voltar para a casa de teus avós ou teus pais ou tomar um trem para um lugar desconhecido ou telefonar para um número qualquer (e contar, contar, contar) ou escrever uma carta tão desesperada que alguém se compadeça de ti e corra a te socorrer com chás e bolos, ajeitando as cobertas à tua volta e limpando o suor frio de tua testa.
Já não é tempo de desesperos. Refreias quase seguro as vontades impossíveis. Depois repetes, muitas vezes, como quem masca, ruminas uma frase escrita faz algum tempo. Qualquer coisa assim:
- ... mastiga a ameixa frouxa. Mastiga , mastiga, mastiga: inventa o gosto insípido na boca seca ...

Caio F. Abreu

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Qual é a idade pra ser feliz?


Ninguém se conhece direito até passar dos 30. Tem gente que não se conhece mesmo beirando os 70, mas aí é outra história. Antes dos 30, somos apenas um sonho. Um desejo com várias direções. E muita esperança a tiracolo. Até os 30, estamos definindo o que queremos. O que gostamos. O que vamos ser. Não há limites para os planos. Para o número de namorados. Nem para a quantidade de erros.

Depois dos 30, continuamos errando. Continuamos não sabendo. Continuamos esperando. Mas, pelo menos, temos uma breve idéia de onde queremos chegar. Não é fácil, eu admito. Existe uma pressão no mundo para que você se torne só uma coisa: GENTE GRANDE. Aí, meu querido, começa a batalha... Você TEM que ter um diploma, uma carreira, um namorado, um casamento, um filho, um cachorro. (Mesmo que não seja a lista dos sonhos de sua vida). Você tem que cortar o cabelo, tirar o piercing, encompridar a saia, comprar um biquíni maior, aposentar suas calças rasgadas e blusas de banda. (Apesar de achar seu novo “eu” um tanto quanto demodê). 

Aonde isso vai parar? Já conto. Um dia, quando menos se espera, você se enxerga... um chato! Percebe que confundiu responsabilidade com falta de espontaneidade. E encontra sua criança interior puta da vida, num castigo que você mesma criou. ESTOU ERRADA? Pode ser. É preciso muito equilíbrio para saber a hora de não se levar tão a sério. Mas, criança grande que sou, ainda acho que os 30 são a melhor coisa do mundo. Que se danem as contas, as rugas e demais amolações. As paranóias dos 20 (finalmente!) acabaram. Agora você é um ser sublime e sem espinhas. E – digam o que quiserem! – você nunca mais vai morrer de amor. INVENÇÃO MINHA? Não, acho que não. Depois dos 30, a gente sofre com mais dignidade. A gente sabe que toda dor passa. E entende que – tirando a morte e a lei da gravidade – tudo tem conserto. 

Se eu gostaria de voltar no tempo? Ah, acho que não... Ninguém, em sã consciência, tem saudade de usar aquela bermuda ridícula do uniforme de educação física. Ninguém sente falta de ser insegura. Ninguém gosta de pedir permissão aos pais pra sair. Ninguém tem saudades da aflição de ser virgem e pensar depois da “primeira vez”: então é SÓ isso? Não, gente, tem coisas na vida que melhoram incrivelmente com a idade. E estou escrevendo esse texto porque vejo muita gente apavorada em ficar mais velha. Mulheres com crise existencial porque fizeram 30. Caramba, meninas! É, eu sei, eu sei, eu sei. Vivemos numa cultura que almeja o belo. E o novo. Eu me preocupo com tudo isso também, mas acho que não devemos esquecer uma coisa: renovar quem somos por dentro. Pode parecer clichê, mas é verdade. Chega de nos preocuparmos tanto com botox, preenchimento, lifting, pilates e anti-rugas. Chega de chorar pelos cantos porque você acha que passou da idade de começar de novo. Chega de tanto drama porque você ainda não encontrou o amor da sua vida. Ou mais realisticamente dizendo: um cara bacana com quem você possa viver seus dias. Amor não tem idade. Beleza também não. Pra cada um, a vida dá um tempo. Não é porque a sociedade nos manda um roteiro pronto (com prazo estabelecido), que iremos seguir tudo à risca. (Afinal, é isso que você quer?). 

Ah, vou contar uma coisa... Depois de muitos aniversários, descobri que ganhei muito mais do que perdi. Com o passar dos anos, fiquei mais corajosa. Mais segura. Mais esperta. Mais sábia. Mais seletiva. E mais feliz. Perdi minhas vergonhas. Minhas inseguranças (não todas, mas muitas delas). E perdi também o medo de dizer o que penso. E o que eu penso? Ah, pessoal, a mulherada anda boba demais! Vamos parar de nos importar tanto com faixa etária e cabelos brancos. Vamos esquecer das equações que nos ensinaram pra ter uma vida perfeita. Vamos parar de dizer o tal “tô passando da idade”. Vamos nos conhecer mais. Preencher nossos vazios. Paralisar nossos medos. E nos livrar de todos os sinais que não nos fazem bem. Meninas, a plástica aqui é interna. Se estiver ruim, conserte. Comece tudo de novo. Aproveite que você já sabe o que (externamente) lhe cai bem. E mude. POR DENTRO. Afinal, com que cara você quer chegar aos 40?


Parabéns para mim!

Que eu tenha – sempre! - um ano novo dentro de mim! 
Texto Original: Fernanda Mello

domingo, 16 de janeiro de 2011

Mel

Mel é por toda parte. Todos os pontos cardeais.
Os famosos Norte, Sul, Leste, Oeste. E os esquecidos Nordeste, Noroeste, Sudoeste e Sudeste.
Mel é em todas as direções.
Conheça Mel há muito tempo, mas nunca da maneira que a conheço agora.
Mel é antena. De tudo sabe, de tudo dá notícia.
Tem uma memória invejável e lembra com detalhes frases ditas há anos.
É clássica e ao mesmo tempo moderna. O begezinho em sua nova versão rock e tatuagem. 
Queria ser independente, virou gente grande. Queria se renovar, virou Gloss.
Queria ser luz, virou luz. E reflexo. Projeção.
Ao mesmo tempo foco e ponto de referência.
Extremamente ansiosa, sonhadora, sincera e com uma certa crueldade adormecida. Ela Trocaria todas as dores de cabeça do mundo por uma bebedeira culta. Ou por um bom show de MPB. É assim. Também como água e vinho.
Ela esconde tristeza e faz música com o sofrimento. 
Mel é delicadeza e jogo de cintura. 
Mas não mexam com ela.
Ela é uma alternativa levemente radical às boas moças da sociedade.
Tem aquele bom humor que desarma e uma vontade inesgotável de engolir o mundo.
É praticante do bom-mocismo, mesmo estando entediada com tudo isso.
Esta aprendendo a dizer Não. 
É impossível e tem coração mole. Mel?
O que importa é que Mel é www.É portal do conteúdo.com. Uma mulher do futuro. Sem direito a bumbum eletrônico e peitinho de silicone. (Alguém confere?)
Tudo em sua mente está em constante movimento.
Mel é alta velocidade de conexão.
Cheia de vontades, padrões e romantismos camuflados por ela mesma. 
Quem conhece esse docinho, logo se encanta.
E acho engraçado seu jeito de dizer que não está nem aí para alguma coisa, achando que vai me convencer. 
Na verdade, Mel é meu livro de auto-ajuda. Um convite para lembrar quem você é, sem personagens e meias palavras.
O que Mel seria se não fosse Melissa?
Uma cantora, aeromoça de vôo internacional, integrante de reality show...
Tente imaginar Mel sendo cafona. (...) Tente focar mentalmente ela vestida naqueles shortinhos de Piu-Piu e camisolões com tucanos e araras, sentada numa cadeira de plástico velha, emoldurada por um pôster da seleção brasileira de 90, com Lazaroni em destaque. Impossível imaginar tal cena...
Impossível imaginar Mel sem ser Melissa. 
Ela é o que é.
E mesmo que não fosse Melissa, continuaria sendo linda, moderna, um arraso.
Mas para quê inverter o perfeito, subverter o que já é ideal?
Daí esse texto. Melzinha como ela é.
Essa Mel múltipla, indesfigurável, íntegra.
Doce ironia: Melissa é tantas, em tantas formas e lugares, com tantas idéias e tantos talentos e tantas vontades, que ela é uma só. 
Indivisível. Isso por mais que a ciência evolua.
Duvido que alguém invente uma forma de fragmentar Mel. (Embora alguns integrantes do sexo masculino já tenham se aventurado...)
Desmaterializá-la é impensável. Seja porque simplesmente não produzirá efeito (algo como " aborted mission") ou porque cada partícula jamais encontrará seu lugar exato, seu equilíbrio perfeito, sua composição correta, seus paradoxos, idiossincrasias, contrastes, choques elétricos de brilhos e contradições. Enfim, nunca se recomporá igual ao que era quando chegar do outro lado.


O que tentei dizer é que Melissas não são feitas todos os dias.

Texto original:
 Fernanda Mello

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Sana II


Trouxemos de Sana muitas saudades e uma grande admiração pelo lugar e pelas pessoas. E uma vontade forte de voltar o mais rápido possível. E esta volta aconteceu dia 4 de dezembro, sábado. Fizemos mais uma viagem de baldeação, para economizar. Saímos mais cedo de casa para poder aproveitar melhor o dia.
Chegamos em Sana por volta de 13:40hs. Estávamos com fome, mas a vontade de ver a nova barraca armada era maior. Chegamos no Sana Camping, falamos com sr. João e ele nos disse que o camping estava vazio. O que realmente importava era se o lugar na beira do rio, embaixo da árvore estava vazio. E estava! Corremos para o cantinho com o qual vínhamos sonhando desde nossa primeira vez lá e começamos a montar a barraca.
Não foi nada difícil colocar nossa casinha em pé. Bem mais fácil do que a antiga. Encher o colchão não demorou muito, mas foi complicado bombear com o sol queimando e a barriga vazia. Mas com muito trabalho em equipe, conseguimos.
E foi muito bom ver nossa barraca pronta. Tiramos foto dela pronta e depois começamos a arrumar as coisas dentro dela. Colocar lençol, definir onde iam ficar as bolsas, roupas... Quase ficamos perdidos com tanto espaço e conforto, em comparação com a barraca antiga.


Com tudo pronto, tomamos banho no chuveiro da cachoeira e fomos almoçar.
Perguntamos a um rapaz que trabalha no Sheilart's onde poderíamos achar um restaurante com prato feito. O rapaz não sabia indicar nenhum, nem mesmo aqueles que já conhecíamos, então decidimos parar de perder tempo procurando algum lugar novo e voltamos ao restaurante da pousada Riacho Doce, onde tínhamos almoçado muito bem da última vez.
Barriga cheia, hora de descansar. Ah, claro, e se refrescar, também, porque estava muito quente. Tomamos mais um banho e nos deitamos.
Dentro da barraca estava muito quente, sol a pino, então estendemos a canga na grama e deitamos embaixo sob a sombra da árvore. Muitas conversas, brincadeiras, idéias e não percebemos a noite cair. Depois de algum tempo começou a chover. Corremos para dentro da barraca e acabamos dormindo.
Tendo dormido tão cedo, acordamos bem cedo no domingo. Isso foi bom, porque fez o dia render, bem diferente da véspera. Acordamos e fomos para a área onde ficam os banheiros e o chuveiro. Tivemos uma surpresinha desagradável: dois sapos grandes, um em cada chuveiro. Só restou o chuveiro com água fria e foi lá que tomamos nosso banho.
Roupas trocadas, saímos para o café da manhã. A padaria que já conhecíamos estava fechada, então procuramos outra e achamos a Boutique do pão. Lá, sim, o café é forte! E o atendimento é muito bom. Ficamos um tempo por lá, admirando a vista e olhando a cidade do alto (2º andar).
Depois de tomar café, fomos em direção as cachoeiras. Queríamos conhecer as que não tínhamos visto na última viagem. Chegamos à cachoeira do Escorrega e pedimos informações sobre como chegar nas outras. Indicaram uma trilha e seguimos por ela. Seguindo mais na frente desta trilha vimos uma placa indicando dois poços à esquerda e a trilha para as cachoeiras à direita. Descemos para ver os poços e passou por nós um morador que nos disse que poderíamos chegar muito mais facilmente à última cachoeira se seguíssemos em frente pela margem do rio formado pelas águas da cachoeira.


Continuamos seguindo pela trilha e encontramos com mais um morador. Este perguntou se gostaríamos de segui-lo, pois o caminho era complicado e poderíamos nos perder. Seguimos atrás dele e a cada minuto o caminho piorava: pedras para pular, cordas para nos apoiarmos, vezes em que tínhamos que mudar de uma margem para a outra, atravessando muita correnteza, muitos buracos... Tínhamos que prestar muita atenção em tudo para que não acontecesse nenhum acidente grave.
Quando chegamos na cachoeira Mãe, o nativo quis ficar pulando, olhavamos e pensamos o quento aquilo era arriscado e não ficamos lá por muito tempo, queríamos um lugar seguro. Então entramos em uma trilha de onde vieram outras pessoas na esperança de ser o caminho certo. Esta trilha nos levou a cachoeira Pai, linda, porém, a mais perigosa, qualquer deslize e estamos em péssima situação. Sentamos um pouco para descansar e de onde estávamos víamos os rapazes pulando dentro do poço que se formava com as águas da cachoeira Mãe. Loucos! Pulavam sem medo, um deles até fez uma cambalhota no ar. Decidimos continuar nosso percurso. Achamos mais algumas pessoas na trilha e o rapaz nos informou que mais à frente tinha mais uma cachoeira, a Sete Quedas ou podíamos atravessar as pedras e achar uma trilha para estradinha normal.


Achamos a trilha e voltamos a estrada. Puxa, tão mais fácil, tão segura! Mas por ela não teríamos visto tantas coisas bonitas e nem teríamos esta história para contar.
Na descida, paramos na cachoeira do Escorrega e ficamos por lá, como tínhamos feito na primeira viagem. É um lugar tranquilo, com água gostosa, onde dá para nadar e pular. Depois de nos refrescarmos bastante, fomos almoçar. Paramos no mesmo restaurante em que almoçamos da primeira vez nas cachoeiras, o Macaxeira, que tem comida boa e barata. Depois fomos a a algumas lojinhas e voltamos para o camping, para descansar, afinal de contas o dia tinha sido intenso.
No camping, tomamos mais um banho no chuveiro que tanto gostamos e deitamos na canga. Mais uma vez começou a chover bastante e entramos na barraca. Algumas gotinhas estavam entrando pela costura do teto, mas deu para sobreviver.
A chuva tinha diminuído, a fome tinha apertado e fomos para a rua procurar o que comer. Achamos uma creperia ao lado de uma igreja evangélica. Ficamos ouvindo o sermão enquanto esperávamos. O proprietário nos deixou muito a vontade. Entregou o controle da TV para a gente e disse para colocarmos no canal que quiséssemos. Não tinha muita coisa boa. Sintonizamos nos Simpsons e ficamos conversando. Chegou o crepe. Muito gostoso e muito caro (R$ 14). A preguiça era muita e voltamos ao camping, entramos na barraca, conversamos um pouco e logo adormecemos.
Acordar sabendo que o último dia é muito ruim. Bate uma vontade muito grande de 'quero mais', e este sentimento normalmente dura o dia todo. Nos levantamos mais tarde e fomos mais uma vez tomar café na Boutique do Pão. Saindo de lá, ficamos sentados na praça em frente a igreja, até que a chuva nos espantou de volta para o acampamento. No caminho encontramos um centro comunitário da prefeitura e resolvemos entrar.
Fomos muito bem recebidos por Artur Zózimo, professor de informatica da cidade, que nos mostrou tudo que o centro fazia e nos deu uma noção muito boa do que é a cidade de Sana, como são os nativos, a influência da política na cidade...
Assim terminou nossa segunda viagem a Sana. Gostamos muito de lá, mas precisamos conhecer novos destinos. Alguma sugestão?

Link para as fotos

Melissa

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Samba da Benção





É melhor ser alegre que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração
Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
É preciso um bocado de tristeza
Senão, não se faz um samba não


Senão é como amar uma mulher só linda
E daí? Uma mulher tem que ter
Qualquer coisa além de beleza
Qualquer coisa de triste
Qualquer coisa que chora
Qualquer coisa que sente saudade
Um molejo de amor machucado
Uma beleza que vem da tristeza
De se saber mulher
Feita apenas para amar
Para sofrer pelo seu amor
E pra ser só perdão

Fazer samba não é contar piada
E quem faz samba assim não é de nada
O bom samba é uma forma de oração
Porque o samba é a tristeza que balança
E a tristeza tem sempre uma esperança
A tristeza tem sempre uma esperança
De um dia não ser mais triste não

Feito essa gente que anda por aí
Brincando com a vida
Cuidado, companheiro!
A vida é pra valer
E não se engane não, tem uma só
Duas mesmo que é bom
Ninguém vai me dizer que tem
Sem provar muito bem provado
Com certidão passada em cartório do céu
E assinado embaixo: Deus
E com firma reconhecida!
A vida não é brincadeira, amigo
A vida é arte do encontro
Embora haja tanto desencontro pela vida
Há sempre uma mulher à sua espera
Com os olhos cheios de carinho
E as mãos cheias de perdão
Ponha um pouco de amor na sua vida
Como no seu samba

Ponha um pouco de amor numa cadência
E vai ver que ninguém no mundo vence
A beleza que tem um samba, não
Porque o samba nasceu lá na Bahia
E se hoje ele é branco na poesia
Se hoje ele é branco na poesia
Ele é negro demais no coração

Eu, por exemplo, o capitão do mato
Vinicius de Moraes
Poeta e diplomata
O branco mais preto do Brasil
Na linha direta de Xangô, saravá!
A bênção, Senhora
A maior ialorixá da Bahia
Terra de Caymmi e João Gilberto
A bênção, Pixinguinha
Tu que choraste na flauta
Todas as minhas mágoas de amor
A bênção, Sinhô, a benção, Cartola
A bênção, Ismael Silva
Sua bênção, Heitor dos Prazeres
A bênção, Nelson Cavaquinho
A bênção, Geraldo Pereira
A bênção, meu bom Cyro Monteiro
Você, sobrinho de Nonô
A bênção, Noel, sua bênção, Ary
A bênção, todos os grandes
Sambistas do Brasil
Branco, preto, mulato
Lindo como a pele macia de Oxum
A bênção, maestro Antonio Carlos Jobim
Parceiro e amigo querido
Que já viajaste tantas canções comigo
E ainda há tantas por viajar
A bênção, Carlinhos Lyra
Parceiro cem por cento
Você que une a ação ao sentimento
E ao pensamento
A bênção, a bênção, Baden Powell
Amigo novo, parceiro novo
Que fizeste este samba comigo
A bênção, amigo
A bênção, maestro Moacir Santos
Não és um só, és tantos como
O meu Brasil de todos os santos
Inclusive meu São Sebastião
Saravá! A bênção, que eu vou partir
Eu vou ter que dizer adeus

Ponha um pouco de amor numa cadência
E vai ver que ninguém no mundo vence
A beleza que tem um samba, não
Porque o samba nasceu lá na Bahia
E se hoje ele é branco na poesia
Se hoje ele é branco na poesia
Ele é negro demais no coração
.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Mudanças



Ano Novo. Época de pensar em mudanças. Regra? Não sei, acho que costume.
Mas eu sou demais. Não que esteja me achando. A vida explode em mim. Sou intensa demais. Quero demais, me dou demais, não me contento com talvez, com meio termo, com pouca coisa. Feliz ou infelizmente eu sou assim. Mudar? Talvez. Mas para quê?
Enquanto a maioria das pessoas se contenta em soltar bombinhas, eu solto rojões. Enquanto sobem em pedras e pulam no mar, eu pulo de asa-delta. Enquanto procuram escadas eu desço de rapel.
E ser assim em um mundo que nos acostuma a viver com restos tem me prejudicado muito.
Venho tentando ser fria, ser dura, ser mais razão e menos coração. Mas não tenho conseguido.
Migalhas nunca me darão plenitude. Tem que ser completo.
E o maior problema é perceber que esta mudança tem que acontecer aqui dentro. Pessoas não vão preencher os vazios que eu tenho e nem resolver meus problemas.
Acho que meu grande erro é achar que a vida é uma eterna diversão, quando não é assim: é um presente sério para ser usado da melhor forma possível. Simples e louca ao mesmo tempo. De forma intensa sim, mas com equilíbrio.
Somos capazes de mudar qualquer coisa, mas primeiro devemos começar a mudar por dentro, dentro de cada um de nós. Fazer sem esperar, amar sem cobrar, trabalhar com afinco e lembrar que somos capazes de fazer qualquer coisa, basta que queiramos.
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