domingo, 16 de janeiro de 2011

Mel

Mel é por toda parte. Todos os pontos cardeais.
Os famosos Norte, Sul, Leste, Oeste. E os esquecidos Nordeste, Noroeste, Sudoeste e Sudeste.
Mel é em todas as direções.
Conheça Mel há muito tempo, mas nunca da maneira que a conheço agora.
Mel é antena. De tudo sabe, de tudo dá notícia.
Tem uma memória invejável e lembra com detalhes frases ditas há anos.
É clássica e ao mesmo tempo moderna. O begezinho em sua nova versão rock e tatuagem. 
Queria ser independente, virou gente grande. Queria se renovar, virou Gloss.
Queria ser luz, virou luz. E reflexo. Projeção.
Ao mesmo tempo foco e ponto de referência.
Extremamente ansiosa, sonhadora, sincera e com uma certa crueldade adormecida. Ela Trocaria todas as dores de cabeça do mundo por uma bebedeira culta. Ou por um bom show de MPB. É assim. Também como água e vinho.
Ela esconde tristeza e faz música com o sofrimento. 
Mel é delicadeza e jogo de cintura. 
Mas não mexam com ela.
Ela é uma alternativa levemente radical às boas moças da sociedade.
Tem aquele bom humor que desarma e uma vontade inesgotável de engolir o mundo.
É praticante do bom-mocismo, mesmo estando entediada com tudo isso.
Esta aprendendo a dizer Não. 
É impossível e tem coração mole. Mel?
O que importa é que Mel é www.É portal do conteúdo.com. Uma mulher do futuro. Sem direito a bumbum eletrônico e peitinho de silicone. (Alguém confere?)
Tudo em sua mente está em constante movimento.
Mel é alta velocidade de conexão.
Cheia de vontades, padrões e romantismos camuflados por ela mesma. 
Quem conhece esse docinho, logo se encanta.
E acho engraçado seu jeito de dizer que não está nem aí para alguma coisa, achando que vai me convencer. 
Na verdade, Mel é meu livro de auto-ajuda. Um convite para lembrar quem você é, sem personagens e meias palavras.
O que Mel seria se não fosse Melissa?
Uma cantora, aeromoça de vôo internacional, integrante de reality show...
Tente imaginar Mel sendo cafona. (...) Tente focar mentalmente ela vestida naqueles shortinhos de Piu-Piu e camisolões com tucanos e araras, sentada numa cadeira de plástico velha, emoldurada por um pôster da seleção brasileira de 90, com Lazaroni em destaque. Impossível imaginar tal cena...
Impossível imaginar Mel sem ser Melissa. 
Ela é o que é.
E mesmo que não fosse Melissa, continuaria sendo linda, moderna, um arraso.
Mas para quê inverter o perfeito, subverter o que já é ideal?
Daí esse texto. Melzinha como ela é.
Essa Mel múltipla, indesfigurável, íntegra.
Doce ironia: Melissa é tantas, em tantas formas e lugares, com tantas idéias e tantos talentos e tantas vontades, que ela é uma só. 
Indivisível. Isso por mais que a ciência evolua.
Duvido que alguém invente uma forma de fragmentar Mel. (Embora alguns integrantes do sexo masculino já tenham se aventurado...)
Desmaterializá-la é impensável. Seja porque simplesmente não produzirá efeito (algo como " aborted mission") ou porque cada partícula jamais encontrará seu lugar exato, seu equilíbrio perfeito, sua composição correta, seus paradoxos, idiossincrasias, contrastes, choques elétricos de brilhos e contradições. Enfim, nunca se recomporá igual ao que era quando chegar do outro lado.


O que tentei dizer é que Melissas não são feitas todos os dias.

Texto original:
 Fernanda Mello

Um comentário:

  1. Melissa só tem uma.... o resto é cópia barata e sem luz!!!

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