quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Amigos, obrigada!


Tem gente que tem cheiro de passarinho quando canta. De sol quando acorda. De flor quando ri. Ao lado delas, a gente se sente no balanço de uma rede que dança gostoso numa tarde grande, sem relógio e sem agenda. Ao lado delas, a gente se sente comendo pipoca na praça. Lambuzando o queixo de sorvete. Melando os dedos com algodão doce da cor mais doce que tem pra escolher. O tempo é outro. E a vida fica com a cara que ela tem de verdade, mas que a gente desaprende de ver.

Tem gente que tem cheiro de colo de Deus. De banho de mar quando a água é quente e o céu é azul. Ao lado delas, a gente sabe que os anjos existem e que alguns são invisíveis. Ao lado delas, a gente se sente chegando em casa e trocando o salto pelo chinelo. Sonhando a maior tolice do mundo com o gozo de quem não liga pra isso. Ao lado delas, pode ser abril, mas parece manhã de Natal do tempo em que a gente acordava e encontrava o presente do Papai Noel.

Tem gente que tem cheiro das estrelas que Deus acendeu no céu e daquelas que conseguimos acender na Terra. Ao lado delas, a gente não acha que o amor é possível, a gente tem certeza. Ao lado delas, a gente se sente visitando um lugar feito de alegria. Recebendo um buquê de carinhos. Abraçando um filhote de urso panda. Tocando com os olhos os olhos da paz. Ao lado delas, saboreamos a delícia do toque suave que sua presença sopra no nosso coração.

Tem gente que tem cheiro de cafuné sem pressa. Do brinquedo que a gente não largava. Do acalanto que o silêncio canta. De passeio no jardim. Ao lado delas, a gente percebe que a sensualidade é um perfume que vem de dentro e que a atração que realmente nos move não passa só pelo corpo. Corre em outras veias. Pulsa em outro lugar. Ao lado delas, a gente lembra que no instante em que rimos Deus está dançando conosco de rostinho colado. E a gente ri grande que nem menino arteiro.

Costumo dizer que algumas almas são perfumadas, porque acredito que os sentimentos também têm cheiro e tocam todas as coisas com os seus dedos de energia. Meus amigos são assim. Eles perfumam a minha vida com sua luz e suas cores. E o perfume deles é tão gostoso, tão branco e tão delicado. E tudo o que eu amar vai encontrar, de alguma forma, os vestígios desse perfume de Deus, que, numa temporada, se vestiu de “Amigos”, para me falar de amor.


Original: Ana Jácomo

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Precisamos ter fome de AMOR


Estava pensando estes dias para onde estão indo os relacionamentos. As coisas boas da vida que ficam mais gostosas quando você compartilha com alguém. Mas como disse Renato Russo: “Digam o que disserem, o mal do século é a solidão.” Um pouco de pretensão, mas assino embaixo sem dúvida alguma. Parem para notar, os sinais estão batendo em nossa cara todos os dias.


Estava dentro do ônibus dia destes, às 7hs da manhã e entra uma menina, com os sapatos na mão, aparentemente falando com a mãe no telefone. A mãe perguntava onde ela estava até àquela hora e ela respondeu que estava em uma boate que ficava a uns 40 km do ponto onde ela pegou o ônibus e este ponto por coincidência, e que coincidência, era na frente de um motel. Terminada a ligação, ela ri, vitoriosa por sua mentira ter colado.

Uma mulher na boate. Chega um cara. Falam meia dúzia de abobrinhas e daqui a pouco estão no motel. Beijos, abraços, amassos descompromissados e sexo. Depois, talvez uma conversa, uns beijinhos e um adeus.

Vontade saciada. Mas e depois? Será que não rola uma necessidade de estar com alguém não apenas por sexo? Saber se o cara tem irmãos e irmãs? Se a menina trabalha? Qual a cor preferia? O que gosta de comer? Cazuza ou Legião Urbana? Se teve caxumba ou catapora? Qual o nome do melhor amigo? Mora com os pais? Um sonho, um amor, uma realização?

Sou boba, acredito em romance, em amor, em cuidar e ser cuidada. Andar de mãos dadas, dar e receber carinho, sem necessariamente ter que mostrar depois desempenho de atletas olímpicos, dormir juntinhos, “apenas” abraçadinhos, acordar e fazer um café da manhã para quem se gosta.

Eu olho com muita tristeza para estes tipos de situação. Ninguém está livre de um sexo casual, mas banalizar como está nos dias de hoje é um desperdício.

Diversão é bom. Sexo, uma maravilha. Mas sexo e sentimento são coisas indescritíveis. Momentos de prazer, como estes oferecidos em baladas, só nos traz solidão.

Felicidade, amor, todas estas emoções nos faz parecer ridículos, abobalhados, e daí? Seja ridículo, não seja frustrado, "pague mico", saia gritando e falando bobagens, você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto e cada instante que vai embora não volta.

Antes idiota do que infeliz e sozinho!
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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Crescendo enfim!


Casa nova, quarto novo, pessoas novas... novas?!!
Por certo que não são muito novas, nem as pessoas, nem o quarto, muito menos a casa.
São novas na minha vida, mas não em suas histórias!

Uma nova vista pela janela,
Um novo barulho atrás da porta,
Um novo odor ao atravessar o corredor.
Novo?! Não... talvez diferente, mas nem tudo que é diferente é novo! Mas sem dúvida, tudo que é novo é diferente!

A saudade que bate é nova, mas a palavra é velha conhecida.
O sorriso e a excitação já foram antes vistos, mas não no tempo presente.

Novas oportunidades, novas experiências,
velhas histórias, velhos sentimentos.
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domingo, 20 de fevereiro de 2011

Palavras de alguém que só eu sei quem!



Abro os olhos e vejo um teto branco.
Ao meu redor paredes coloridas e personagens novos em minha história.
Os dias que se passavam tão rápido quando era adolescente, agora parece não ter fim.
Confundo o dia com a noite e meus sonhos com a realidade.
As pessoas vivem a vida sonhando com a liberdade, mas não possuem.
E depois de tanta vida vivida estou aqui com novas regras, novos padrões e novos objetivos.
Hora de acordar, hora de dormir, hora de comer...
São tantas horas para tantas coisas que sobram poucas horas para viver.
Claro que já me dei conta da realidade e sei que não tenho tanto tempo assim...
Mas consciente ou inconscientemente reúno o pouco de forças que tenho para poder ficar.
Com essa força que me resta, danço, rio, choro, escrevo, penso, leio, trabalho...
Ainda estendo e recolho as roupas secas do varal...
Quando eu falo isso as pessoas não acreditam, mas o que elas podem saber mais da minha vida do que eu?
Não duvidem do que sou capaz, acreditem nas minhas histórias, as regras até posso aceitar, mas nunca me impeçam de sonhar.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Querer mais. Mais querer.

Meu coração é o canto da insatisfação.



Sabem aquela sensação de que a vida está tentando te ensinar uma lição e você não está entendendo? Esse é o meu momento.
Eu tenho uma vida boa. Muito, muito boa. E toda vez que eu me pego pensando em reclamar eu me forço a olhar além do meu próprio umbigo e enxergar as coisas por outra perspectiva.
Tenho um trabalho legal, numa área em desenvolvimento no país e com bastante futuro e espaço pra crescer.
Tenho saúde para praticar os esportes que eu gosto, ainda que não os faça.
Tenho tempo para exercitar meu cérebro conversando, escrevendo e lendo.
Tenho voz pra cantar e meus males espantar.
Tenho uma família barulhenta e engraçada.
Tenho amigos pra bater na porta num fim de tarde ou pra ligar quando der saudade ou quando precisar de um ombro amigo e chorar.
Tenho energia pra viajar, conhecer lugares e pessoas novas.
Tenho mais coisas do que eu consigo usar ou até mesmo guardar.
E mesmo assim, ainda quero mais dessa vida. Quero mais dessa passagem. Mesmo que a vida venha me dando sinais de que eu já tenho o suficiente.
Aí quando eu penso na lista acima – das coisas que eu já tenho – acaba rolando um sentimento de ingratidão. E oi? Vida? Eu sou feliz, sim. Mas será que é muito errado querer ser mais feliz?


sábado, 12 de fevereiro de 2011

Das coisas simples


A menina gosta das pequenas gentilezas e dos pequenos gestos de carinho que, para muitos, acabam passando despercebidos...
Ela gosta de abraços apertados, de sorrisos inesperados, de olhares um pouco mais demorados, do toque suave dos dedos acariciando seu rosto e seus cabelos, de um beijo leve sobre seus olhos, de um "cheiro" demorado na nuca e de cobrir a orelha para dormir...
Falando em dormir, a menina gosta de roçar os pés, o entrelaçar das pernas e sentir o calor dos corpos juntos...
A menina gosta de ganhar flores, colhidas assim, ao acaso, e que, despretensiosamente, trazem consigo o carinho de quem as ofereceu...
A menina prefere as sutis, porém constantes, manifestações de carinho, do que arroubos apaixonados, do que afetos exagerados...
Outra coisa que a menina gosta muito é de quem sabe sorrir com os olhos, de quem não se esconde atrás de respostas prontas ou de sarcasmo mal dosado, de quem tem o riso fácil, de quem abre a porta do carro, de quem cede passagem ao outro (seja esse "outro" quem for), de quem sabe reconhecer, admirar e se alegrar com as conquistas alheias...
A menina também gosta de quem sabe ser leal, de quem sabe ser companheiro, de quem sabe ser amigo... enfim, de quem se dá por inteiro...
A menina gosta do outono, do silêncio, do mato, da noite e da lua cheia...
Ela gosta, também, de se deitar na grama, languidamente, e observar as nuvens no céu, imaginando com o quê os seus formatos se parecem...
A menina gosta de olhar para a copa das árvores e perder-se no farfalhar das folhas ao vento...
E, por falar em vento, a menina aprecia muito senti-lo bater em seu rosto...
Ela adora olhar o mar, acompanhar o vai e vem da maré, sentir a brisa e pensar...
Ela gosta, também, de sentir o cheiro de grama recém cortada, gosta do cheiro que fica no ar depois da chuva, do cheiro de pão fresquinho e de observar as estrelas...
Ela gosta de roxo, rosa, do mundo em cores...
Ela gosta muito de poesias, pois acredita que é por meio delas que os sentimentos transbordam...
A menina gosta de música... Mas nem sempre e não de qualquer tipo... Adora ouvir o som de um violão com alguma canção que fale de amor...
E, à propósito, ela ama dançar...
A menina adora livros... ela gosta de sentir o cheiro dos livros, ela gosta de sentir suas texturas e de folheá-los ao acaso...
E ela também gosta de filmes, principalmente os romances... A menina acredita, inclusive, que há um pouco de Amélie Poulain* em cada mulher...
A menina também gosta de pipoca quentinha, de sorvete beeeeem gelado, de chocolate derretendo preguiçosamente na boca, azeitonas verdes, queijos e de vinho tinto suave...
A menina gosta de ter amigos, de conversas longas, tranqüilidade e paz...
Na verdade, a menina gosta muito, muito, muito... das coisas simples, que nem sempre são valorizadas...

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Fériaaaasss

Quero 30 dias de férias, 15 com meu filho e 15 só pra mim. Porque mereço... quero viajar, quero fazer festa, dançar, dar muitas risadas e ter muito prazer. Quero viver o presente sem medo do futuro. Quero afastar da minha vida pessoas que me são inconvenientes, quero responder a altura quando me disserem algo que não gosto. Quero ser EU, simplesmente MELISSA. Câmbio. Desligo!!!


terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A um ausente


Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu,
enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave 
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.

Carlos Drummont de Andrade

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Tô Voltando!




Tô Voltando
Composição: Paulo César Pinheiro e Maurício Tapajós

Pode ir armando o coreto
E preparando aquele feijão preto
Eu tô voltando
Põe meia dúzia de Brahma pra gelar
Muda a roupa de cama
Eu tô voltando

Leva o chinelo pra sala de jantar
Que é lá mesmo que a mala eu vou largar
Quero te abraçar, pode se perfumar
Porque eu tô voltando

Dá uma geral, faz um bom defumador
Enche a casa de flor
Que eu tô voltando
Pega uma praia, aproveita, tá calor
Vai pegando uma cor
Que eu tô voltando

Faz um cabelo bonito pra eu notar
Que eu só quero mesmo é despentear
Quero te agarrar
Pode se preparar porque eu tô voltando
Põe pra tocar na vitrola aquele som
Estréia uma camisola
Eu tô voltando

Dá folga pra empregada
Manda a criançada pra casa da avó
Que eu to voltando
Diz que eu só volto amanhã se alguém chamar
Telefone não deixa nem tocar
Quero lá, lá, lá, ia, porque eu to voltando!
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