terça-feira, 29 de março de 2011

Contando Estrelas



Contando Estrelas
Diogo Nogueira

Contando estrelas vejo a noite ir embora
E nem reparo na beleza do luar
O sol nascendo no horizonte faz aurora
E eu sofrendo nem consigo apreciar
O vento leva a terra clara do terreiro
E os passarinhos cantam pelo meu quintal
Meu coração aprisionado no celereiro
Se quer escuta a sinfonia matinal
A tarde cai e não apaga essa saudade
O céu azul sem testemunha perde a cor
O tempo corre, eu não percebo e assim
É minha vida com o fim do nosso amor
Devolve minha alegria
Volta correndo pro lar
A casa está tão vazia
Sem teu perfume no ar
A mesa da sala sem ninguém pra dar bom dia
Sem seu tempero pra agradar meu paladar
No porta retrato tudo que restou de nós
Sinto a falta do teu cheiro
Aqui no meu travesseiro, debaixo dos lençois
Volta que eu não quero mais
As lembranças dos meus ais
Traz o cheiro e o tempero
A beleza e a cor
Desse amor que é só da gente
Tô ficando amargurado
Com a cabeça no passado
Vem me dar esse presente

segunda-feira, 28 de março de 2011

A razão de nunca desejar o mal pra alguém...



Um garotinho de 9 anos de idade chamado Zeca entra em casa, após a aula, batendo forte os pés no chão, emburrado, cara feia já de mau humor... Seu pai, que estava indo para o quintal fazer alguns serviços na horta, e depois cortar grama ao ver seu filho tão rebelde chama o menino pra conversar. Zeca acompanha-o desconfiado, e antes que seu pai dissesse alguma coisa, fala irritado:

"Pai estou com muita raiva hoje. O Juca não deveria ter feito isso comigo. Desejo tudo de ruim pra ele. Quero matar esse garoto!"

Seu pai, um homem simples, mas cheio de sabedoria, escuta calmamente o filho que continua a reclamar:

"Pai o Juca me humilhou na frente dos meus amigos, tirou sarro porque caí no pátio, tropecei na hora do recreio, todos riram de mim por causa do escândalo dele. Não aceito isso! Gostaria que ele ficasse doente sem poder ir à escola."

O pai escuta tudo calado enquanto caminhava até um abrigo onde guardava ferramentas, o cortador de grama, grelhas quando fazia churrasco e lá estava um pacote cheio de carvão. E ele levou o carvão até o fundo do quintal e o menino o acompanhou calado.

Zeca vê o saco ser aberto e antes mesmo que ele pudesse fazer uma pergunta, o pai lhe propõe algo:

"- Filho, faz de conta que aquela camisa branquinha que está secando no varal é o seu amigo Juca e cada pedaço de carvão é um mau pensamento seu, um desejo ruim seu endereçado à ele. Quero que você jogue todo o carvão do saco na camisa, até o último pedaço. Depois eu volto para ver como ficou."

O menino achou que seria uma brincadeira divertida e pôs mãos à obra!!!
O varal com a camisa estava longe do menino e poucos pedaços acertavam o alvo. Uma hora se passou e o menino terminou a tarefa. O pai, que espiava tudo de longe, aproxima-se do menino e lhe pergunta:

"- Filho como está se sentindo agora?"

Zeca diz:
"Estou cansado, mas estou alegre porque acertei muitos pedaços de carvão na camisa."

O pai olha para o menino, que fica sem entender a razão daquela brincadeira, e carinhosamente fala:

"- Venha comigo até o meu quarto e da sua mãe, quero lhe mostrar uma coisa."

O filho acompanha o pai até o quarto e é colocado na frente de um espelho grande onde pôde ver seu corpo inteiro dos pés até a cabeça. Que susto! Só se conseguia enxergar seus dentes e os olhinhos do menino, ele estava completamente sujo de carvão.

O pai, então, lhe diz:
"- Filho, você viu que a camisa quase não se sujou. Mas agora olhe só para você. O mal que desejamos aos outros é como o que lhe aconteceu. Por mais que possamos atrapalhar a vida de alguém com nossos pensamentos, a borra, os resíduos, a fuligem, toda sujeira fica sempre em nós mesmos."

Moral da história:
Cuidado com seus pensamentos porque eles se transformam em palavras.
Cuidado com suas palavras pois elas se transformam em ações.
Cuidados com suas ações elas irão se transformar em hábitos.
Cuidado com seus hábitos eles estão moldando o seu caráter.
Cuidado com seu caráter porque ele controla o seu destino.

***
O ódio, o rancor, a vingança e a mágoa agem como um veneno, causando moléstias variadas nos órgãos internos. E isso não é uma fala minha, é o que diz todas as religiões, além de todas as filosofias de vida e inclusive a psicanálise moderna. Sei que não é fácil, muitas vezes temos raiva e o isso nos leva a pensar o mal, mas distraia a mente e deseje o bem. Experimente e verá muita coisa mudar.
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sábado, 26 de março de 2011

Estou de volta pro meu aconchego...



De Volta Pro Aconchego
Elba Ramalho
Composição : Dominguinhos - Nando Cordel

Estou de volta pro meu aconchego
Trazendo na mala bastante saudade
Querendo
Um sorriso sincero, um abraço,
Para aliviar meu cansaço
E toda essa minha vontade
Que bom,
Poder tá contigo de novo,
Roçando o teu corpo e beijando você
,
Prá mim tu és a estrela mais linda
Seus olhos me prendem, fascinam,
A paz que eu gosto de ter.
É duro, ficar sem você
Vez em quando
Parece que falta um pedaço de mim
Me alegro na hora de regressar
Parece que eu vou mergulhar
Na felicidade sem fim

sexta-feira, 25 de março de 2011

Madrugada

A madrugada é companheira dos que sentem inquietude. Ela chega rompendo o sossego da alma e abrindo frestas inspiradoras no silêncio...



A madrugada é um momento ideal para escrever,  pelo menos para mim. Para a maioria é o momento para descansar e não se ver envolta por livros, papéis, lápis bem apontados ou dedinhos ávidos para escrever. Para a maioria os livros permanecem fechados, as pontas dos lápis se quebram ou os dedinhos se cansam de digitar papos inúteis pela internet. O corpo está cansado, muito trabalho, estresse, rotina e queremos apenas esperar por mais um dia. Carregar as baterias como muitos dizem.
Eu me rebelo contra isso, acho a madrugada fascinante, misteriosa e extremamente proveitosa. A sensação úmida do sereno, a lua alta e sem aquele ritmo frenético da cidade que nos enlouquece durante o dia.
Eu não sei, mas desde criança a noite me excita, me desperta, me mostra coisas ou me traz pensamentos que ao longo do dia ficam escondidos por todos os afazeres que são necessários à minha sobrevivência na terra.
A madrugada traz paz comigo mesma, me traz simplicidade no olhar, idéias, soluções, prismas diferentes que o dia não me oferece. Ela oferece caminhos que posso trilhar. Um deles é a simplicidade da vida.
A madrugada não recompensa os impacientes. Precisamos estar vazios, abertos e sem exigências para então perceber que a madrugada nada mais é que um presente que resulta em um lindo amanhecer.
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quarta-feira, 23 de março de 2011

As mulheres de 30


“O que mais as espanta é que, de repente, elas percebem que já são balzaquianas. Mas poucas balzacas leram A Mulher de Trinta, de Honoré de Balzac, escrito há mais de 150 anos. Olhe o que ele diz: 'Uma mulher de trinta anos tem atrativos irresistíveis.
A mulher jovem tem muitas ilusões, muita inexperiência. Uma nos instrui, a outra quer tudo aprender e acredita ter dito tudo despindo o vestido. (...) Entre elas duas há a distância incomensurável que vai do previsto ao imprevisto, da força à fraqueza. A mulher de trinta anos satisfaz tudo, e a jovem, sob pena de não sê-lo, nada pode satisfazer'.

Madame Bovary, outra francesa trintona, era tão maravilhosa que seu criador chegou a dizer diante dos tribunais: 'Madame Bovary c'est moi'. E a Marilyn Monroe, que fez tudo aquilo entre 30 e 40?
Mas voltemos a nossa mulher de 30, a brasileira-tropicana, aquela que podemos encontrar na frente das escolas pegando os filhos ou num balcão de bar bebendo um chope sozinha. Sim, a mulher de 30 bebe. A mulher de 30 é morena. Quando resolve fazer a besteira de tingir os cabelos de amarelo-hebe passa, automaticamente, a ter 40. E o que mais encanta nas de 30 é que parece que nunca vão perder aquele jeitinho que trouxeram dos 20. Mas, para isso, como elas se preocupam com a barriguinha!
A mulher de 30 está para se separar. Ou já se separou. São raras as mulheres que passam por esta faixa sem terminar um casamento. Em compensação, ainda antes dos 40 elas arrumam o segundo e definitivo.
A grande maioria tem dois filhos. Geralmente um casal. As que ainda não tiveram filhos se tornam um perigo, quando estão ali pelos 35. Periga pegarem o primeiro quarentão que encontrarem pela frente. Elas querem casar.
Elas talvez não saibam, mas são as mais bonitas das mulheres. Acho até que a idade mínima para concurso de miss deveria ser 30 anos. Desfilam como gazelas, embora eu nunca tenha visto uma (gazela). Sorriem e nos olham com uns olhos claros. Já notou que elas têm olhos claros? E as que usam uns cabelos longos e ondulados e ficam a todo momento jogando as melenas para trás? É de matar.
O problema com esta faixa de idade é achar uma que não esteja terminando alguma tese ou TCC. E eu pergunto: existe algo mais excitante do que uma médica de 32 anos, toda de branco, com o estetoscópio balançando no decote de seu jaleco diante daqueles hirtos seios? E mulher de 30 guiando jipe? Covardia.
A mulher de 30 ainda não fez plástica. Não precisa. Está com tudo em cima. Ela, ao contrário das de 20, nunca ficou. Quando resolve, vai pra valer. Faz sexo como se fosse a última vez. A mulher de 30 morde, grita, sua como ninguém. Não finge. Mata o homem, tenha ele 20 ou 50. E o hálito, então? É fresco. E os pelinhos nas costas, lá pra baixo, que mais parecem pele de pêssego, como diria o Machado se referindo a Helena, que, infelizmente, nunca chegou aos 30?
Mas o que mais me encanta nas mulheres de 30 é a independência. Moram sozinhas e suas casas têm ainda um frescor das de 20 e a maturidade das de 40. Adoram flores e um cachorrinho pequeno. Curtem janelas abertas. Elas sabem escolher um travesseiro. E amam quem querem, à hora que querem e onde querem. E o mais importante: do jeito que desejam.
São fortes as mulheres de 30. E não têm pressa pra nada. Sabem aonde vão chegar. E sempre chegam.
Chegam lá atrás, no Balzac: 'A mulher de 30 anos satisfaz tudo'.
Ponto. Pra elas.”

Mario Prata

segunda-feira, 21 de março de 2011

Nós


Me ignora, me despreza e me odeia. Assim você diz. Não, não sente isso de verdade. Despreza eu não corresponder seus padrões de mulher. Que na verdade seria uma evolução da espécie, digamos uma mulher com doses cavalares de testosterona para ficar mais lógica, mais literal, menos complicada, que pudesse te oferecer conversas ideológicas sem medo de interpretações equivocadas. Talvez ficasse menos gostosa, menos feminina visualmente, mas o preço para você seria justo. Você pagaria este preço pelo simples prazer de obter seu ideal de mulher.
Mas diz, diz que me odeia, que não vai me perdoar por te fazer me esquecer, diz ‘adeus’ que eu não dou uma semana para este ‘adeus’ virar um ‘até mais’ ou um ‘oi’, mas diz que me odeia.
Quero ver você conseguir tirar estas borboletas batendo as asas dentro do seu estomago todas as vezes que se lembrar de nós dois juntos. Toda vez que pegar alguma coisa que te faça lembrar de cenas banais, de risos espontâneos, de conversas loucas e/ou filosóficas, de viagens únicas, de sensações, de carinhos... mas diz que não me quer mais, eu deixo.
Quero ver você conseguir tirar estes trovões da cabeça toda vez que tentar ensinar alguém sobre informática, toda vez que assistir a uma nova série, toda vez que baixar um novo filme... mas diz que não damos mais certo juntos, que não seremos felizes, eu aceito.
Fala para mim que eu consigo algo melhor por um baixo custo, que ‘mereço-coisa-melhor’, que posso viver sem você, que não acredita quando eu falo que você foi, é e sempre será o que eu sempre quis para mim... mas diz que sou irracional, eu admito.
Faz cena, se ergue, junta minhas coisas, diz que vai devolver tudo, que de mim nada mais quer ouvir, brinca no teclado, debocha dos meus versos bonitos, fala coisas duras, cruéis, e eu duvido que o seu corpo esteja diferente do meu, eu duvido que seu corpo inteiro não estremeça lembrando de nós dois. Metade de você me quer, a outra metade esta preocupada em manter a pose. À hora passa, e eu penso: - Para que perder tanto tempo? Posso morrer amanhã.
Mas, vamos lá, vamos continuar sentindo o gosto amargo das cinzas do que foi um dia nosso relacionamento. Esquece o Eu e Você, diz que não existe e que nunca existirá. Que não somos nada, que não existe futuro entre mim e você... eu respeito.
Nesta madrugada, pensando e relendo tudo, acho que cabemos muito bem na mesma hora, no mesmo lugar, no mesmo quarto, na mesma cama, mas acredito Eu que nunca caibamos na mesma palavra: nós.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Remar


"Eu entro nesse barco, é só me pedir. Nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou. Faz tempo que quero ingressar nessa viagem, mas pra isso preciso saber se você vai também. Porque sozinha, não vou. Não tem como remar sozinha, eu ficaria girando em torno de mim mesma. Mas olha, eu só entro nesse barco se você prometer remar também! Eu abandono tudo, história, passado, cicatrizes. Mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo a comer direito, vou todo dia pra academia. Mas você tem que prometer que vai remar também, com vontade! Eu começo a ler sobre política, futebol, ficção científica. Aprendo a pescar, se precisar. Mas você tem que remar também. Eu desisto fácil, você sabe. E talvez essa viagem não dure mais do que alguns minutos, mas eu entro nesse barco, é só me pedir. Perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia. Mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo. Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto. Eu te ensino a nadar, juro! Mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças! Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser a toa, que vale a pena. Que por você vale a pena. Que por nós vale a pena. Remar. Re-amar. Amar."
Caio F. Abreu

quarta-feira, 9 de março de 2011

Todo Carnaval tem seu fim!


Todo Carnaval Tem Seu Fim
Los Hermanos
Composição: Marcelo Camelo

Todo dia um ninguém josé acorda já deitado
Todo dia ainda de pé o zé dorme acordado
Todo dia o dia não quer raiar o sol do dia
Toda trilha é andada com a fé de quem crê no ditado
De que o dia insiste em nascer
Mas o dia insiste em nascer
Pra ver deitar o novo
Toda rosa é rosa porque assim ela é chamada
Toda Bossa é nova e você não liga se é usada
Todo o carnaval tem seu fim
Todo o carnaval tem seu fim
E é o fim, e é o fim
Deixa eu brincar de ser feliz,
Deixa eu pintar o meu nariz
Toda banda tem um tarol, quem sabe eu não toco
Todo samba tem um refrão pra levantar o bloco
Toda escolha é feita por quem acorda já deitado
Toda folha elege um alguém que mora logo ao lado
E pinta o estandarte de azul
E põe suas estrelas no azul
Pra que mudar?
Deixa eu brincar de ser feliz,
Deixa eu pintar o meu nariz
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terça-feira, 8 de março de 2011

Mulheres


Elas sorriem quando querem gritar.
Elas cantam quando querem chorar.
Elas choram quando estão felizes.
E riem quando estão nervosas.
Elas brigam por aquilo que acreditam.
Elas levantam-se para injustiça.
Elas não levam "não" como resposta quando
acreditam que existe melhor solução.
Elas andam sem novos sapatos para
suas crianças poder tê-los.
Elas vão ao medico com uma amiga assustada.
Elas amam incondicionalmente.
Elas choram quando suas crianças adoecem
e se alegram quando suas crianças ganham prêmios.
Elas ficam contentes quando ouvem sobre
um aniversario ou um novo casamento.

Pablo Neruda

sábado, 5 de março de 2011

Para o Carnaval


Todo ano é a mesma coisa: você chega, fica aqui três dias e aí vai embora. Volta um ano depois, todo animadinho, querendo me levar para a gandaia. Olha, honestamente, cansei.

Seus amigos, bando de mascarados, defendem você. Dizem que sempre foi assim, festeiro, brincalhão, mas que no fundo é supertradicional, de raízes cristãs, e só quer tornar as pessoas mais felizes.

Para mim? Carnaval, desengano... Você recorre à sua origem popular e incentiva essas fantasias nas pessoas, de que você é o máximo, é pura alegria, mas não passa de entrudo mal-intencionado, um folguedo, que nunca viu um dia de trabalho na vida.

Acha-se a coisa mais linda do mundo e é cafonice pura. Vive desfilando pelas ruas, junto com os bêbados, relembrando o passado. Chega a ser triste.

Carnaval, você tem um chefe gordo e bobalhão que se acha um rei, mas não manda em nada. Nunca teve um relacionamento duradouro. Basta chegar perto de você e temos que agüentar aquelas fotos de mulheres nuas, que são o seu grande orgulho.
Você não tem vergonha, não?

Sei que as pessoas adoram você, Carnaval, mas eu estou cansada dos seus excessos e dessa sua existência improdutiva. Seja menos repetitivo, proponha algo novo. Desde que o conheço, você gosta das mesmas músicas. Gosta de baile. Desculpa, mas estou pulando fora.

Será que essa sua alegria toda não é para esconder alguma profunda tristeza? Será que você canta para não chorar? Tentei, várias vezes, abordar essas questões, e você sempre mudou de assunto. Ora, chega dessa loucura. Reconheça que você se esconde atrás de uma dupla personalidade.

Cada vez mais e mais pessoas ficam incomodadas com essa sua falsa euforia, fique sabendo. Conheço várias que fogem, querendo distância das suas brincadeiras.
Você oprime todo mundo com esse seu deslumbramento excessivo diante das coisas, sabia?

Por exemplo, essa sua mania de camarote. Onde os vips podem suar sem que isso pareça nojento. Onde se pode falar torto sem que seja errado. Todos vestidos de uniforme, senão não entram. Todos doidos para passar a mão na bunda um do outro.
Essa é a sua idéia de curtir a vida?

Menos purpurina, Carnaval. Menos bundas, menos dentes para fora. A vida é linda, mas a “lindeza do lindo mais lindo que há no lindíssimo” é um saco. Um pouco de calma e autocrítica nunca fez mal a ninguém. Tudo muda no mundo – por que você insiste em continuar o mesmo?

A harmonia vem da evolução, não das alegorias. Chegou a hora de rodar a baiana para não atravessar na avenida.

Como será amanhã? Responda quem puder.

Fernanda Young

sexta-feira, 4 de março de 2011

Que bicho te mordeu aí na lua?



Astronauta

Gabriel O Pensador

Composição: Gabriel O Pensador/lulu Santos

Astronauta!
Tá sentindo falta da Terra?
Que falta
Que essa Terra te faz?
A gente aqui embaixo
Continua em guerra
Olhando
aí prá lua
Implorando por paz
Então me diz:
Porque quê você quer voltar?
Você não tá feliz
Onde você está?
Observando
Tudo a distância
Vendo como a Terra
É pequenininha
Como é grande
A nossa ignorância
E como a nossa vida
É mesquinha
A gente aqui no bagaço
Morrendo de cansaço
De tanto lutar
Por algum espaço
E você
Com todo esse espaço na mão
Querendo voltar aqui pro chão?
Ah não, meu irmão!
Qual é a tua?
Que bicho te mordeu
Aí na lua?
Eu vou pro mundo da lua
Que é feito um motel
Aonde os deuses e deusas
Se abraçam e beijam no céu...
Ah não, meu irmão!
Qual é a tua?
Que bicho te mordeu
Aí na lua?
Fica por aí
Que é o melhor que cê faz
A vida por aqui
Tá difícil demais
Aqui no mundo
O negócio tá feio
Tá todo mundo feito
Cego em tiroteio
Olhando
pro alto
Procurando a salvação
Ou pelo menos uma orientação
Você já tá perto de Deus
Astronauta!
Então me promete
Que pergunta prá ele
As respostas
De todas as perguntas
E me manda pela internet...
Eu vou pro mundo da lua
Que é feito um motel
Aonde os deuses e deusas
Se abraçam e beijam no céu...
É tanto progresso
Que eu pareço criança
Essa vida de internauta
Me cansa
Astronauta cê volta
E deixa dar uma volta na nave
Passa achave
Que eu tô de mudança
Seja bem-vindo, faça o favor
E toma conta do meu computador
Porque eu tô de mala pronta
Tô de partida
E a passagem é só de ida
Tô preparado prá decolagem
Vou seguir viagem
Vou me desconectar
Porque eu já tô de saco cheio
E não quero receber
Nenhum e-mail
Com notícia dessa merda
De lugar...
Eu vou pro mundo da lua
Que é feito um motel
Aonde os deuses e deusas
Se abraçam e beijam no céu...
Eu vou prá longe
Onde não exista gravidade
Prá me livrar do peso
Da responsabilidade
De viver nesse planeta
Doente
E ter que achar
A cura da cabeça
E do coração da gente
Chega de loucura
Chega de tortura
Talvez aí no espaço
Eu ache alguma criatura
Inteligente
Aqui tem muita gente
Mas eu só encontro solidão
Ódio, mentira, ambição
Estrela por aí
É o que não falta
Astronauta!
A Terra é um planeta
Em extinção...
Eu vou pro mundo da lua
Que é feito um motel
Aonde os deuses e deusas
Se abraçam e beijam no céu!
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quinta-feira, 3 de março de 2011

Ser Diferente...

E se me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar.
Clarice Lispector

Nasci como original, recuso-me a morrer como uma cópia. Sei que sou diferente, muito diferente.
Aprendi a crescer com a minha diferença e a minha história será o meu destino.
Sinto que procuro o que muitos não acreditam, ando em busca do possível dentro do impossível.
Sinto o olhar dos outros, sinto a sinceridade ou a falsidade, vejo a Verdade e a Mentira. E principalmente, vejo a maldade.
Para crescer percebi que o agora é o que importa. A minha filosofia de vida é SER. O TER tornou-se tão insignificante e tão banal.
Muitas vezes viajo no meu interior à procura do caminho que devo seguir, escutando a voz do meu coração, no silêncio do meu SER, escutando a melodia da minha Vida.

Tenho orgulho em ser diferente, ser como sou: Sempre o papel principal em qualquer história.
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terça-feira, 1 de março de 2011

Chove lá fora...

Leio enquanto chove lá fora. Paro de ler e fico observando os pingos batendo na minha janela e faz muito tempo que eu não ficava assim, apenas ver a chuva cair. Parada, aqui na minha cama, desligo o som e fico a escutar o barulho da chuva, às vezes forte, às vezes fraca. Contemplando a natureza, algo tão banal, mas como tantos outros que me faz sentir um estranho prazer em sentir solidão.  Uma solidão de momento, uma solidão cheia de sentimentos dispersos como as gotas de chuva que se espalham pela calçada do condomínio.



Eu rabisco o sol que a chuva apagou.
Renato Russo 
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