sexta-feira, 24 de junho de 2011

Aviãozinho de papel



Hoje aconteceu uma situação muito estranha, não sei definir o que senti. Na verdade, me senti oca. Mas uma coisa ficou na minha cabeça: tenho memória seletiva ou memória fraca?

Fui muito apaixonada por um cara casado há uns três anos atrás. Meu ‘romance’ durou dois anos. Com ele eu aprendi a ser mulher, a dar prazer, soube como é bom ser desejada. Com ele aprendi a ser segura na cama e na vida.

Aí começou o problema. Quando me vi uma mulher, completa, se olhando no espelho e estando satisfeita com o que eu via, passei a exigir, a cobrar meu preço, cobrar o que me era devido. Dois anos de carinho, espera, compreensão; e a partir daí começou o inicio do fim.

Comecei a deixar de lado, e cada vez menos sentia vontade de estar com ele. Quando estava, me sentia usada, como uma agulha na hora que cai um botão.

Ligações dele e desculpas minhas, mensagens dele e mais desculpas minhas, até que no inicio do ano deixei que ele me encontrasse. Saímos. Conversa e carinhos mais do que atrasados. Resultado: certeza absoluta que não deveria estar ali, que acabou e que tem coisas que ficam muito mais ‘bonitas’ no seu devido lugar, o passado.

Decidido isso, segui em frente. Sem dor. Sem feridas abertas. Apenas certa do que eu deveria fazer. Deixar ‘meus passados’ onde deveriam ficar. Sendo assim, não aceitei mais convite algum do meu banco de reservas. Não iria manter mais ninguém na minha vida. Não deu valor na hora certa, não era hoje que Eu iria aceitar.

Hoje tive a certeza: “Aqui se faz, aqui se paga.” Não que eu estivesse esperando o mundo dar voltas, não que eu tenha ficado feliz. Nada. Não senti nada. Vazia.

Não preciso entrar em detalhes do acontecido. Isso só eu e ele devemos saber. Só não esperava dizer um não tão seco e duro como te disse. Não esperava ver aquele homem tão dono de si, abaixar a cabeça e falar ‘por favor’. Não esperava o gelo que na época queriam passar pelas minhas espinhas, agora voltassem para você como tiros em forma de cubos de gelo.

Eu não quis te devolver nada. Nenhuma lágrima que eu tenha derramado. Nenhuma dor que você tenha me feito sentir. Não, não quero nada disso. Eu só não quero mais você.

Desculpe, mas eu aprendi, eu cresci e eu sei o que eu quero para minha vida. Tenho sonhos e objetivos. E não tenho que ficar em segundo plano na vida de ninguém. Quero mais, mereço mais e raspas e restos não me interessam.

Não consigo me recordar de quase nada. Lembro de algumas noites no mirante, esperando o sol se pôr nos seus braços, mas fora isso, nada muito relevante. Só a certeza que a mulher que eu sou hoje, em partes, agradeço a você. Nada mais que isso.

Deitei na minha cama e fiquei olhando a lua, a mesma que olhávamos lá do mirante, e fiz um esforço danado tentando lembrar mais alguma coisa. Sei que gostei muito de você, que fiz de tudo para que a gente ficasse junto, que sorri, que chorei, que sofri, que achei que era amor... Restou apenas o aprendizado.

A partir desta constatação, fiquei com uma dúvida muito grande, não sei se é uma fase, mas estou com uma completa ausência de lembranças emotivas. Como se parte do meu cérebro bloqueasse toda e qualquer recordação que tenha me dado algum tipo de ferida. O ruim é não lembrar nem das coisas boas. Sei que tenho uma bagagem, umas cicatrizes e nada para curar, nada para fechar. Tudo no seu devido lugar. Então, tudo me leva a crer que não é memória seletiva e nem memória fraca, acredito ser uma defesa, protegendo minha morada, até porque muro baixo, o povo pula.

Então a dúvida passou e fiquei leve. Como aviãozinho de papel no ar. Sem rumo ou destino. Apenas flutuando e aproveitando a viagem.

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