sábado, 26 de novembro de 2011

Só por hoje



Sabe a sensação de perder o fôlego por um minuto, sentir seu corpo tremer, perder a noção dos pensamentos, ter a sensação de estar caindo em um buraco negro, sem saber o que dizer, querer correr e não conseguir, querer ir embora sem olhar para trás e não ter força, um segundo parece levar dez minutos para passar e você está sufocando cada vez mais, mas de repente o ar volta você desesperadamente o puxa e se sente asfixiado por que o ar não é suficiente, nada é. Você se sente abandonada por seu corpo, seus extintos e se vê desprotegida e jogada ao chão se rendendo quando deveria fugir.
Daí você ouve uma porta se abrindo, você levanta os olhos e não quer enxergar o que é obvio ou não quer acreditar no que acabou de ver. Sua boca abre, você tenta juntar as palavras, mas elas fogem de você e tudo começa a fazer sentido, o seu chão some, as lágrimas brotam como de uma nascente infindável e você não as consegue aquietar. Você só consegue pensar nas frases: “O que eu faço?”, “Por que comigo, de novo?”, “Eu não acredito!”. E da sua boca saem palavras sufocadas direcionadas a quem você deseja não estar ali naquele momento, a quem você deseja nunca ter conhecido, e de tudo o que você pensa falar a única coisa que saí é: o que é isso? Palavras saídas de uma boca trêmula, em um rosto desolado, de uma pessoa descrente. Não dá para xingar um palavrão libertador, não dá para gritar de forma confortadora.  
Você não sabe para onde olhar e não consegue encarar quando deveria, não sabe o que pensar, uma coisa vem em sua mente, uma frase dita, e esta foi a única que você conseguiu resgatar da confusão que estava: “Você é pura!” E é mais fácil assim para te enganar sua idiota você acredita em tudo, não reclama de nada.
O que fazer? Você pede ajuda a Deus, mas parece que ele não te ouve, você torce para ser um pesadelo, mas não consegue acordar, você pede para ser 1º de abril e torce para ser uma pegadinha ou mentira de alguém, mas não é dia 12 de outubro e tudo é a verdade e é a única verdade.
Você não ouve explicações, mas não há o que explicar. Você ouve lamentações e tudo parece falso e desapropriado. Você pega o que lhe cabe no momento e só quer sair dali, correr, mas o que consegue fazer é sair vagarosamente, passo-a-passo vendo tudo nos mínimos detalhes enxergando coisas que nunca tinha reparado antes.  Você consegue sair, para e senta, desaba e não sabe o que fazer, pega o celular roda a agenda de A a Z e de Z a A. E só tem uma letra, a letra ‘M’ de uma pessoa. E você se dá conta que é só ela que você tem. E agradece a Deus por isso e a Ela também, muito obrigada! Não sei como seria se não tivesse esta única pessoa que me acolhe, aconselha e ajuda. Na verdade queria ser como esta pessoa forte e resistente, independente e segura, mas sou o contrário.
Com muito lamento e tenho que dizer que eu me deixei levar, fui fraca e cedi. E me arrependi a cada segundo após, pois sei que nada vai mudar. É o que é, e não tem volta. Mas como sempre eu dei a outra face por que ser estapeada de um lado só não basta.  E o peso de ter que pensar em todos, sempre me deixa por último, não posso envergonhar fulano, e nem decepcionar cicrano, não quero ouvir aquele “eu te avisei” do beltrano, e menos ainda o “Bem Feito” dos três. Admito que seria doído pular fora e evitar essa dor também me ajudou a ficar. Mas agora me pergunto o que será melhor: pequenas doses sofrimento por dia ou virar a garrafa de uma vez?
TM

Um comentário:

  1. Por mais que tentemos ser fortes, não dá. Desabamos como todos os mortais. (In)felizmente. Algumas vezes me encontro exatamente nessa situação e, por mais que eu odeie, preciso aceitar que isso acontece a todos...

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