sábado, 14 de janeiro de 2012

Mera coincidência...


E chegava mais um final de semana, ela ansiosa e saudosa, ele reclamando que ia ficar sem suas coisas, era sempre a mesma coisa, mas durante o período tudo ficava bem... foi um final de semana bom, diferente dos demais, sem brigas, com muito carinho e muito sorriso.

Sempre na noite de domingo ela começava a ficar chorosa e ele indiferente, e assim foram dormir... segunda, a despedida, um beijo, um abraço apertado e os olhos se trocaram pela última vez...

Ele não sabia disso, se soubesse, talvez, teria feito diferente, teria aproveitado mais aquele final de semana, aquela despedida, aqueles últimos telefonemas durante o dia, aquelas últimas mensagens...

Ela foi embora, sem conseguir se despedir, sem conseguir mandar mensagem, ligar ou explicar o que aconteceu, apenas foi...

Ele no início conseguiu suportar bem, disfarçar seus sentimentos, até para ele mesmo, mas era inevitável aceitar a perda, uma hora alguém teria que mexer nos ‘restos mortais’ daquele relacionamento.

Ele não pode devolver as coisas que ele tinha que a lembravam, mas recebeu tudo o que era dele, até mais do que deveria. Recebeu também coisas que lhe trariam recordações de momentos únicos e bons, que com as circunstâncias, tornaram-se ruins e então sentiu que tudo tinha acabado. Percebeu que tudo que ele reclamava era pouco perto de tudo que ele tinha com ela.

Era uma saudade de coisas bobas... conversas sobre um mundo utópico e besteiras idealizadas por mentes cheias de sonhos, passeios tolos de mãos dadas, do som da voz dela, dos olhos brilhando quando dava uma gargalhada, dela cantando e fazendo gracinhas para chamar sua atenção... tudo, tudo foi embora, inclusive os planos futuros e isso era o que doía mais.

E o pior era a vontade de falar tudo isso para ela, falar e fazer tudo que deixou de fazer e não poder...

Ele se escondeu mais ainda atrás de sua máscara, tentando ser uma pessoa melhor e feliz, tentou amar, tentou usar, tentou se apaixonar e nada era suficiente, nada era completo... agora vaga por aí, tentando esquecer tudo isso que viveu, tentando esquecer que poderia ter sido feliz se pelo menos tivesse tentando receber o amor que ela tinha para dar.

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