terça-feira, 13 de março de 2012

Até quando?


- Tentei falar com você ontem, sabia?

- Sabia, mas estava vendo o pôr do sol no Arpoador.

- Sozinha?

- Sim, sozinha.

- Você está estranha. Mais estranha do que o normal.

- É eu sei. Eu acho que estou tentado mudar.

- O que está acontecendo? Não tínhamos um acordo onde eu controlaria tudo?

- Sim, eu sei, mas estou tentado deixar as coisas mais doces, ser maleável.

- Eu estou atrapalhando seu caminho?

- Não disse isso.

- Mas deve estar pensando. Combinamos de não deixar você guiar o caminho. Não deu certo das outras vezes.

- Sim, eu sei, mas fiquei olhando o sol se por, olhando aquelas pessoas felizes, os casais juntos rindo de besteiras e fiquei pensando que é tão bonito quando duas pessoas resolvem viver uma para outra, sei que é uma das coisas mais difíceis, mas... estou em uma zona de conforto. E se eu me deixasse levar?

- Me passa o sal de frutas! Você já sabe que isso não dá certo.

- Ando querendo me apaixonar. Porém sei que não tenho saída com você.

- Não. Não tem. Desculpa.

- E se deixarmos acontecer? Só mais uma vez! E se desta vez der certo?

- Acorda! Esquece este calor aí dentro. São apenas os raios de sol te aquecendo. Nada mágico. Tudo tem explicação.

- Desculpa.

- Desculpa o que?

- Não vou te escutar por um tempo. Vou voltar para ver o por do sol. E vou sozinha.

- Até quando?

- Até eu encontrar alguém para ir comigo.


*Texto modificado. Texto original Gabito Nunes.

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