quarta-feira, 30 de março de 2016

Estrelinhas


Sábado, dia 19/03/2016, assistimos a missa pelas almas. 1 mês. 1 mês sem vocês entres nos. Confesso que ainda, é muito estranho não encontrar vocês pelos corredores, dar um beijo na testa do meu pai, a vó brigando porque a gente chegou tarde, explicar 1001 vezes pro meu pai como funciona o instragram, o facebook, resetar o tablet, explicar tudo que fizemos na rua para vovó, e principalmente não ter a companhia deles.
Quando a gente tem, a gente nunca percebe como um simples gesto faz falta, um beijo de boa noite, um abraço, um carinho...
Ontem passamos o dia fazendo coisas que gostamos: bebemos, fizemos um churrasquinho, a sobremesa que meu amor gosta, enchemos a sala de brinquedos e musicas que o Vicente gosta, liguei para minha mãe, Thiago mandou mensagem para mãe dele, recebemos a visita de um grande amigo, fizemos negócios e finalmente depois de meses, temos nossa piscina de ‘prástico’ e vinda direto de Maricá (Paes temos alma de pobre e amamos isso). 
Vai caindo à noite e a casa vai ficando maior, as lacunas ficam vazias e, eu não sei o Thiago, mas minha ficha está demorando demais a cair. Procuro pelo meu pai toda vez que vou à casa da minha mãe e quando percebo que não vou encontrar, tento sair o mais rápido possível de lá.
Posso estar fugindo de tudo, ainda não sei. Ainda não consegui sentir o luto. Ainda não consegui entender que nunca mais vou ver meu pai sorrindo e contando piadas. Mas prometo te orgulhar de onde estiver. Mostrar que tudo que fez por mim não foi em vão. Que todo esforço para que eu estudasse, para que eu fosse uma pessoa melhor, deu certo. Posso não ser perfeita, mas metade do que eu sou, veio de você. Eu devo a você.
Vó, eu nunca fui uma pessoa carinhosa, mas credite que todos os beijos e abraços que eu recebi foram os melhores do mundo. Sei que a gente reclama sempre, assim como a senhora reclamava de tudo, mas agradeço de coração, a acolhida e todo amor que meu filho recebeu. Hoje, todas as recordações, são lindas. São de amor, carinho e gratidão.
Papai e vovó, vocês foram de mãos dadas e viraram estrelinhas, estrelinhas de estimação. Obrigada por tudo. Pai, obrigada por ter me dado esta vida, por me mostrar valores e me mostrar o que é um homem de verdade. Vó, obrigada por mostrar amor e aprender que nem sempre podemos levar tudo a ferro e fogo, pois no fim, poderemos ficar em um canto da sala esquecidos. E desculpe qualquer coisa.
Neste meu aniversario, meu pai, me fez a melhor declaração que eu poderia ouvir, e foi neste momento que eu percebi que não teria mais o tempo que gostaria com ele. Hoje eu só agradeço, por perceber que a vida é um sopro. Que não somos nada além de amor e o que representamos para as pessoas que nos cercam.
Mais um aprendizado, mais uma etapa. Cuide de nos, que ainda somos passiveis de erros, como raiva, desentendimentos e falta de amor.
Hoje, eu só queria passar as mãos nos cabelos lisos e brancos do meu pai e receber um beijo da vó depois do banho (ela sempre fazia isso). Mas não é possível, né?

Fica aqui uma saudade e um grande ‘muito obrigada por tudo’. 
Prometo aprender mais e aproveitar o que a vida tem de melhor. Amor é tudo que temos, amor é tudo que nos resta.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Nada é tão ruim como parece





Eu sei que a vida anda difícil. O número de assaltos e roubos só cresce, o preço da carne está absurdo, a conta de luz vem cada vez mais alta, a saúde pública está um caos e o país atravessa uma crise. Além disso, tem aqueles probleminhas (ou problemas enormes) do dia a dia que incomodam e são uma pedra no sapato.
A colega do trabalho  que não tem profissionalismo e faz você trabalhar triplicado, o ônibus geralmente já passa pelo seu ponto lotado, você nunca consegue lugar para estacionar na sombra, a portaria do prédio que você trabalha só abre as 7h e você tem que andar a meia maratona para conseguir entrar na sua sala, o gato do vizinho que mia na janela do seu quarto a noite inteira, o seu marido é um roncador de primeira, o seu filho acorda de hora em hora para mamar nos dias em que você esta mais cansada, você sempre esquenta demais a papinha do bebê, o telefone toca justamente quando você não pode atender,  seu cabelo cai mais do que chuva de verão,  sua prima tem o metabolismo acelerado e come bacon e batata frita todo dia e não engorda, sua autoestima não vai para o alto que nem pipa, sua calça não fecha mais, a grana está cada vez mais curta, tudo está cada vez mais caro, sua avó emprestada não está nada bem.
Sei que nem sempre as coisas são justas. E que muitas vezes parece que o mundo desaba em cima da sua cabeça. Sei que às vezes você se sente fraco, cansado, desiludido e sem esperanças. Sei que parece que vai ser difícil suportar. Sei que a bagagem pode ser pesada demais. Sei que a força pode diminuir. Sei que as pernas podem enfraquecer. Sei que a força de vontade pode tirar férias. Sei que a persistência pode sair pra comprar cigarros e nunca mais voltar. Sei que os acontecimentos muitas vezes se repetem e você se pergunta: por que isso está acontecendo de novo? O que eu fiz de errado? O que fiz pra merecer isso? Por que sofro tanto? Por que tem tanta gente filha da mãe no mundo que se dá bem e eu, que sou do bem, me dou tão mal? Por que Deus não é justo comigo? Por que Ele me esquece?
Em primeiro lugar, você não pode se esquecer. Se não arregaçar as mangas e tentar sair do fundo do poço, ninguém fará isso por você. Algumas situações podem ser mudadas com algumas atitudes. Outras não. Algumas coisas você pode evitar, outras não. Nós não temos o controle de nada, somente dos nossos pensamentos. E, se você analisar friamente, isso já é ter o controle de tudo. Existem situações terríveis na vida, tragédias, desgraças, fatalidades. Mas você pode encará-las como aprendizado, lição, crescimento, evolução. Já outras tantas situações são maximizadas por nós, que somos humanos e olhamos para nosso umbigo e problemas como se fossem os maiores do universo inteirinho. Mas não são. Nunca são. É preciso, em qualquer caso, olhar para fora, pois se ficar olhando fixamente para dentro de você outros sentimentos negativos surgirão, tais como mania de perseguição, vitimização, melancolia, tristeza, sensação de fracasso e falta de motivação.
Em segundo lugar, você não pode se achar um coitadinho, um nada, uma pobre vítima. Isso não existe. Coisas ruins acontecem, sim, diariamente, para todos nós. Não existe sorte ou azar. O que existe é a forma como você encara e se posiciona. Tem tanta gente por aí sofrendo e passando dificuldade sem perder o sorriso, a fé, a esperança, a coragem. Outros já querem jogar a toalha, desistir, se entregar, acabar com tudo de vez.
O jeito é respirar fundo e olhar a situação com clareza e de forma racional. Faça o que estiver ao seu alcance. Procure manter seu pensamento elevado. Procure sentir coisas boas. Procure enxergar um lado bom em qualquer episódio. Procure acreditar. Nada é tão ruim como parece. Nada.

Texto modificado. Texto original Clarissa Corrêa.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

É preciso saber viver...


Que a loucura do dia-a-dia não envelheça a minha alma.
Que o meu senso de responsabilidade não mate a minha criança interior.
Que eu tenha dias de irritabilidade, mas que não vire rotina.
Que eu perceba quando estou sendo chata e rabugenta e respire fundo, para acalmar os ânimos.
Que eu não afaste as pessoas que gostam de mim e que eu perceba que ninguém precisa ser igual a ninguém e aí que esta a graça da vida.
Que eu consiga separar tempo para trabalho, tempo para meus filhos, tempo para meu marido, tempo para minha família e principalmente, tempo para mim.
Que eu consiga ser menos exigente e menos rígida. E que eu possa ser, novamente, mais leve, divertida e de bem com a vida.
Que eu diminua as regras, regras estas que eu impus.


Por dias sem ansiedade, por dias sem pensamentos acelerados, por dias em que eu me permita, apenas, respirar e receber o que a vida tem de bom para dar.

Paz



Entre um gole e outro de cerveja fiquei pensando sobre as coisas que a gente deseja e quer para a vida. Os sonhos, planos e sentimentos modificam com o passar do tempo, já percebeu? Quando criança meu sonho era uma Barbie noite de galã.

Na adolescência eu queria crescer e comprar um Scort XR3 conversível na cor vinho. No inicio da minha fase adulta, eu só queria ser feliz e amada. Hoje em dia, meu grande sonho é ter paz. Viver em paz. E hoje, minha paz seria morar em um cantinho, de frente pro mar (em Arraial do Cabo, de preferência), cuidando dos meus filhos, acordando com o barulho do vento ao lado do meu marido, passar o dia cuidando dos meus e dormir quando o sol se pôr. Amanhã?! Bom, amanhã pode ser outro sonho, mas uma coisa que eu não abro mão, é da minha paz.
Posso estar aqui, em outro lugar, outro país, outro continente, outro plano, mas se estiver em paz, esta bom!

terça-feira, 16 de abril de 2013

Crimes Morais




Alguém entra na sua casa, rouba suas coisas, agride você. Esse alguém cometeu, de uma só vez, vários crimes. Previstos em vários artigos da Constituição. Alguém entra na sua vida, rouba seu tempo, destrói sua confiança, agride sua auto-estima, estilhaça o pouco que resta da sua confiança no amor. E sai ileso. Mas não seria esse o pior crime que alguém pode cometer contra outra pessoa? Agressão só é penalizada quando alguém encosta a mão em alguém? Como se pune quem causa uma ferida que não está exposta?

Acredito que tomar uma surra de um boxeador deve doer menos do que ser traído. A dor física passa em algumas horas ou, em casos mais graves, alguns dias. Pra dor física, existe remédio. Pras feridas, existe curativo. Mas quem cura a dor de um coração destruído? Como se cura a dor de uma confiança perdida? O que fazer com as feridas cravadas na alma de alguém que sai na rua descrente do mundo? Como penalizar o agressor que, sem usar mãos, armas ou objetos cortantes e pontiagudos, causou ferimentos graves em alguém? Por que ninguém previu isso na lei?

As pessoas lotam os consultórios psiquiátricos, se entorpecem de remédio pra ansiedade, remédio pra depressão, remédio pra pressão, remédio pra dormir, remédio pra acordar. Remédio pra viver. Pra fazer viver quem quer morrer. Remédio pro irremediável. Pra dor que não passa. Pra ferida que ninguém vê. Vãs tentativas de resolver o caos interno. As pessoas tentam remediar uma dor que parece que nunca vai ter fim, um sofrimento que vem de dentro. Bem fundo. Tão fundo que nenhum remédio ou substância tóxica é capaz de alcançar.

Entendo perfeitamente crimes passionais. Entendo perfeitamente quando minha amiga diz que não consegue conversar mais com o ex-namorado porque ela tem vontade de bater nele. Entendo meu amigo que diz que preferia ver a namorada morta do que com outro. Sinceramente, entendo. Quando alguém te machuca, te decepciona, te magoa, a dor é tão grande que você quer agredir a pessoa de volta. Você se sente impotente. Enganado. Ferido. Frustrado. Dá vontade de matar. De morrer. De sumir. Seu mundo desaba bem na sua frente. Você sente que perdeu seu tempo, sua vida, sua auto-estima, suas forças. E qual a pena pro agressor nesse caso? Qual a pena pra alguém que entrou na sua vida, na sua casa, nos seus sonhos, nos seus planos e, num piscar de olhos, destruiu tudo como se tivesse esse direito?

O que sempre falo com meus amigos (como se conselho valesse de alguma coisa) é que vingança não é remédio. Nem fazer justiça com as próprias mãos. Acredito que o tempo se encarrega disso. Acredito que pessoas que usam da confiança e boa vontade das outras nunca vão se dar bem na vida. Ou não vão ser felizes. Ou nunca vão conseguir amar de verdade. Ou não mereciam a gente. Ou que a gente deve agradecer por ter se livrado de um encosto. Ou sei lá o que. Nunca fui boa conselheira. Talvez essas sejam as formas da vida punir quem brinca com o coração dos outros. Não sei mesmo. Em todo caso, deseje o mal de volta pra pessoa. Não por vingança. Só pra ver se ela é forte como você.

Brena Braz

terça-feira, 9 de abril de 2013

Fizemos tudo errado


Fizemos tudo errado.

Não deveríamos ter nos beijado nos primeiros minutos.

Não deveríamos ter dormido de conchinha já na primeira noite.

Não deveríamos atravessar as madrugadas rindo.

Não deveríamos transformar todo abraço em esquina.

Não deveríamos denunciar nossos pensamentos, permitir o ciúme, expor os nossos defeitos.

Não deveríamos, é o que os amigos me ensinaram. Para conquistar alguém, é obrigatório esconder o jogo, fingir independência, disfarçar o arrebatamento.

Falhamos, amor. Somos afoitos, ansiosos, sinceros.

Fracassamos no drama, perdemos a concentração. Somos péssimos atores do desejo.

Nossa história poderia ser diferente.

Você não deveria ter me enviado um sms no primeiro dia.

Eu não deveria ter atendido ao telefone no primeiro toque.

Você não deveria ter dito que sonhava comigo.

Eu não deveria ter dito que sentia saudade na segunda hora.

Você não deveria ter me pedido em namoro em 15 dias.

Eu não poderia ter aceitado.

Você não deveria ter me apresentado sua mãe e sua avó no segundo final de semana.

Eu não deveria ter apresentado meu filho no primeiro mês de namoro.

Você não deveria ter aceitado meu convite para jantar e conhecer minha melhor amiga.

Eu não deveria ter aceitado conhecer seu pai e seus irmãos após 10 horas do pedido de namoro.

Você não deveria ter deixado uma gaveta no seu armário para mim na primeira semana de namoro.

Eu não deveria ter feito mil planos após isso.

Você não deveria descrever seus antigos relacionamentos.

Eu não deveria falar da minha vida de solteiro.

Você não deveria abrir a porta do carro e puxar a cadeira para que eu me sente no restaurante.

Eu não deveria ficar esperando um dia inteiro um abraço depois de um dia de trabalho.

Pecamos, tropeçamos na bondade.

Você não deveria ter dito que nunca foi amado assim.

Eu não deveria ter dito o que sentia depois do primeiro mês.

Bem que nos avisaram que seduzir é se aguentar, é se conter, é não demonstrar os próprios sentimentos.

Fizemos tudo errado, por isso estamos JUNTOS.

Amor é exceção, amor é quebrar as regras.

Texto adaptado Fabrício Carpinejar

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Entre culpas e certezas




Ando cansada de carregar culpas que não são minhas. Sei que a frase parece estranha (e é), mas tem gente que acha que preciso saber todas as respostas. Logo eu, que nada sei. Verdade, quanto mais o tempo passa mais eu vejo que tenho muito o que aprender com a vida e as pessoas. Todo mundo tem algo para nos ensinar. Diariamente. Pena que nem sempre são coisas boas. Mas se o outro não ensina nada positivo, pelo menos podemos aprender o que não devemos fazer.

Se você não sabe pra onde quer ir, tudo bem. Se pelo menos souber o que não quer para a sua vida já é meio caminho andado. Eu sei o que não quero de forma alguma, assim, já elimino muita coisa. E muita gente.

Chega de se lamentar. Se a sua vida anda ruim, desculpa, mas não tenho nada a ver com isso. A minha vida também é cheia de problemas, mas eles são meus. E você não tem nada a ver com isso. Você não tem nenhuma responsabilidade, nenhuma culpa, nada. Não tenho que te cobrar coisa alguma, pois minhas cagadas e acertos só dizem respeito a mim. Se eu faço alguma coisa que te afeta e te fere, me perdoa. Não tenho a intenção de magoar ninguém com meus atos. E se de vez em quando isso acontece, faz parte da vida. Inevitavelmente, magoamos pessoas. Inevitavelmente, esperamos coisas e atitudes das pessoas. Inevitavelmente, existe a frustração. E temos que aprender a conviver com ela pra tentar ser feliz.

De vez em quando cansa ser adulta, dá uma vontade louca de fazer as malas e voltar para a casa da mãe e do pai. E ficar lá, acolhida naquele mundo onde nada atinge e abala, onde a maior preocupação é a menina da escola que me chamou de boba, feia e chata. Então eu penso: não. Uma hora a gente tem que olhar nos olhos dos medos. E andar pra frente. Sem atalho, sem muleta, sem abrigo. Porque a vida é o que acontece no intervalo dos nossos medos. Eles nos petrificam, nos transformam em múmias. É só quando a gente acorda, anda, se mexe, manda eles embora que a vida de fato surge pelos buracos da fechadura.

Sempre pensei que todo mundo tem uma missão. Ninguém vive por viver, nasce por nascer, morre por morrer. Você tem uma missão e deve tentar cumprir tudo o que "está escrito" da melhor forma possível. Mas a gente não sabe o que está escrito. Temos que tentar adivinhar todo o santo dia. É por isso que existe a intuição: ela nos leva para onde devemos ir. É por isso que a gente deve seguir o que o coração diz: ele sempre está certo.

Clarissa Corrêa