sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Eu não tenho medo do amor


Eu não tenho medo do amor. Eu tenho medo é de amar quem tem medo dele. Amar quem teme o amor é como se apaixonar por uma sucessão de desistências. É como viver apenas a possibilidade de algo, mas com a sensação de que ela nunca se estabelecerá. É ficar intranqüilo não com o amanhã, mas com os próximos minutos. Quem teme o amor vai embora antes de fazer as pazes com ele. Antes de saber que surpresas ele reservava. Quem teme o amor teme caminhar de mãos vazias em direção ao desconhecido. Está sempre baseado numa repetição do passado. E acha que a vida será como todos aqueles dias idos. Quem teme o amor não vê a pessoa que conheceu, não se dá a oportunidade de ser amado de outra forma. Quem teme o amor se envolve é com o drama de todas as feridas que vieram à tona porque ele não se permitiu ficar sozinho e confuso o suficiente para curá-las. Quem teme o amor não aprendeu a pedir ajuda nem a receber a cura do Universo. Ele se acha maior que o amor e não conjuga o verbo. Quem teme o amor consegue ser mais perverso do que quem o magoou. Quem tem medo do amor, pra se preservar, não se permite delirar lindamente.... e perde a parcela mais deliciosa que o amor prometeu.... por medo de amar.

Marla de Queiroz 

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Melissa


O nome “Melissa”, que em grego significa “abelha”, é perfeito para me descrever. Eu posso ser doce como mel e se atacada, ferrôo, causando muita dor. Eu posso estar morrendo de medo, mas não me falta coragem: geralmente não rejeito um desafio ou uma proposta inusitada. Sou intensa, carinhosa, verdadeira e leal. Quando amo, amo de verdade e intensamente. Tenho muitos amigos, mas são poucos os que, de fato, moram em mim... E para esses, o mundo! Sou gentil sempre, mas não consigo fingir ser simpática (sorrisos forçados deformam o rosto!). Sou egocêntrica, dramática, teimosa, ansiosa, impaciente e, às vezes, um pouco melancólica. Além disso, sofro de intolerância (principalmente com relação às pessoas que sofrem de incontinência verbal). Aprecio a companhia de quem sabe rir de si mesmo e desprezo aqueles que sempre se acham os "donos da razão". E tem mais uma coisa: Só faço aquilo que realmente quero fazer. Não tente me obrigar a fazer o que não quero que, certamente, não farei o menor esforço para ser uma companhia agradável. Aprendi com o tempo e a maturidade que a vida sempre cobra seu ônus e, por isso, o bônus tem que valer muito a pena e ser aproveitado até a última gota...

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Quebra-cabeça


Quando tá tudo indo bem, eu sempre tenho a sensação de que alguma coisa, no fundo, tá muito errada. Sei lá, é como se um relacionamento saudável fosse impossível no meio dessa merda toda, e quando eu não posso ver os erros, eu fico com essa certeza de que estou sendo enganada. E fico procurando, investigando, revirando o mundo pra encontrar os vacilos, mentiras, motivos pra terminar. Percebe a loucura? É como se ninguém pudesse me amar e ponto, de tanto colarem o adesivo de ‘trouxa’ na minha testa, qualquer carinho me parece suspeito. Percebe a tortura? Fico oscilando entre confiar e desconfiar, querendo viver uma história leve e sempre me afundando nas minhas neuroses e cicatrizes. E homem nenhum agüenta isso, homem nenhum percorre meu labirinto até o fim. Mas como eu poderia me entregar, sem antes saber se posso ir inteira? Como posso confiar de novo, sem saber se vai ser realmente diferente? Quero alguém que rompa meus lacres, não que me lacre mais! E sigo estragando tudo, só pra não ficar pior depois. Quando eles finalmente se cansam e caem fora porque eu sou louca de pedra, eu fico satisfeita. Volto pra fossa por um tempo, sem mistérios, já conheço bem o lugar e a porta de saída. E penso “Viu, sabia que eu tava certa”. Talvez eu até esteja errada, mas que se dane. Se uma pessoa não tem paciência nem pra conquistar minha confiança e afastar meus medos, o que eu posso esperar então? Sou quebra-cabeça de 500 mil peças, quem não tiver capacidade, tenta um jogo mais fácil. Eu supero e agradeço.

Tati Bernardi