quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Nada é tão ruim como parece





Eu sei que a vida anda difícil. O número de assaltos e roubos só cresce, o preço da carne está absurdo, a conta de luz vem cada vez mais alta, a saúde pública está um caos e o país atravessa uma crise. Além disso, tem aqueles probleminhas (ou problemas enormes) do dia a dia que incomodam e são uma pedra no sapato.
A colega do trabalho  que não tem profissionalismo e faz você trabalhar triplicado, o ônibus geralmente já passa pelo seu ponto lotado, você nunca consegue lugar para estacionar na sombra, a portaria do prédio que você trabalha só abre as 7h e você tem que andar a meia maratona para conseguir entrar na sua sala, o gato do vizinho que mia na janela do seu quarto a noite inteira, o seu marido é um roncador de primeira, o seu filho acorda de hora em hora para mamar nos dias em que você esta mais cansada, você sempre esquenta demais a papinha do bebê, o telefone toca justamente quando você não pode atender,  seu cabelo cai mais do que chuva de verão,  sua prima tem o metabolismo acelerado e come bacon e batata frita todo dia e não engorda, sua autoestima não vai para o alto que nem pipa, sua calça não fecha mais, a grana está cada vez mais curta, tudo está cada vez mais caro, sua avó emprestada não está nada bem.
Sei que nem sempre as coisas são justas. E que muitas vezes parece que o mundo desaba em cima da sua cabeça. Sei que às vezes você se sente fraco, cansado, desiludido e sem esperanças. Sei que parece que vai ser difícil suportar. Sei que a bagagem pode ser pesada demais. Sei que a força pode diminuir. Sei que as pernas podem enfraquecer. Sei que a força de vontade pode tirar férias. Sei que a persistência pode sair pra comprar cigarros e nunca mais voltar. Sei que os acontecimentos muitas vezes se repetem e você se pergunta: por que isso está acontecendo de novo? O que eu fiz de errado? O que fiz pra merecer isso? Por que sofro tanto? Por que tem tanta gente filha da mãe no mundo que se dá bem e eu, que sou do bem, me dou tão mal? Por que Deus não é justo comigo? Por que Ele me esquece?
Em primeiro lugar, você não pode se esquecer. Se não arregaçar as mangas e tentar sair do fundo do poço, ninguém fará isso por você. Algumas situações podem ser mudadas com algumas atitudes. Outras não. Algumas coisas você pode evitar, outras não. Nós não temos o controle de nada, somente dos nossos pensamentos. E, se você analisar friamente, isso já é ter o controle de tudo. Existem situações terríveis na vida, tragédias, desgraças, fatalidades. Mas você pode encará-las como aprendizado, lição, crescimento, evolução. Já outras tantas situações são maximizadas por nós, que somos humanos e olhamos para nosso umbigo e problemas como se fossem os maiores do universo inteirinho. Mas não são. Nunca são. É preciso, em qualquer caso, olhar para fora, pois se ficar olhando fixamente para dentro de você outros sentimentos negativos surgirão, tais como mania de perseguição, vitimização, melancolia, tristeza, sensação de fracasso e falta de motivação.
Em segundo lugar, você não pode se achar um coitadinho, um nada, uma pobre vítima. Isso não existe. Coisas ruins acontecem, sim, diariamente, para todos nós. Não existe sorte ou azar. O que existe é a forma como você encara e se posiciona. Tem tanta gente por aí sofrendo e passando dificuldade sem perder o sorriso, a fé, a esperança, a coragem. Outros já querem jogar a toalha, desistir, se entregar, acabar com tudo de vez.
O jeito é respirar fundo e olhar a situação com clareza e de forma racional. Faça o que estiver ao seu alcance. Procure manter seu pensamento elevado. Procure sentir coisas boas. Procure enxergar um lado bom em qualquer episódio. Procure acreditar. Nada é tão ruim como parece. Nada.

Texto modificado. Texto original Clarissa Corrêa.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

É preciso saber viver...


Que a loucura do dia-a-dia não envelheça a minha alma.
Que o meu senso de responsabilidade não mate a minha criança interior.
Que eu tenha dias de irritabilidade, mas que não vire rotina.
Que eu perceba quando estou sendo chata e rabugenta e respire fundo, para acalmar os ânimos.
Que eu não afaste as pessoas que gostam de mim e que eu perceba que ninguém precisa ser igual a ninguém e aí que esta a graça da vida.
Que eu consiga separar tempo para trabalho, tempo para meus filhos, tempo para meu marido, tempo para minha família e principalmente, tempo para mim.
Que eu consiga ser menos exigente e menos rígida. E que eu possa ser, novamente, mais leve, divertida e de bem com a vida.
Que eu diminua as regras, regras estas que eu impus.


Por dias sem ansiedade, por dias sem pensamentos acelerados, por dias em que eu me permita, apenas, respirar e receber o que a vida tem de bom para dar.

Paz



Entre um gole e outro de cerveja fiquei pensando sobre as coisas que a gente deseja e quer para a vida. Os sonhos, planos e sentimentos modificam com o passar do tempo, já percebeu? Quando criança meu sonho era uma Barbie noite de galã.

Na adolescência eu queria crescer e comprar um Scort XR3 conversível na cor vinho. No inicio da minha fase adulta, eu só queria ser feliz e amada. Hoje em dia, meu grande sonho é ter paz. Viver em paz. E hoje, minha paz seria morar em um cantinho, de frente pro mar (em Arraial do Cabo, de preferência), cuidando dos meus filhos, acordando com o barulho do vento ao lado do meu marido, passar o dia cuidando dos meus e dormir quando o sol se pôr. Amanhã?! Bom, amanhã pode ser outro sonho, mas uma coisa que eu não abro mão, é da minha paz.
Posso estar aqui, em outro lugar, outro país, outro continente, outro plano, mas se estiver em paz, esta bom!